domingo, 29 de novembro de 2015

SOBRE ALGUMAS NOTÍCIAS DO SÁBADO PASSADO.

Vez ou outra alguma pessoa me pergunta se gosto de pornografia. Minha resposta é sempre sim. E gosto de atrizes do meio pornô, sou fã mesmo do trabalho que elas fazem. Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender como “um cara como eu” “perde seu tempo” vendo pornografia, ou como sou fã de mulheres que fazem uma única coisa da vida; sexo. Olhos sempre arregalados pra mim sem entender.

Eu gosto de sexo. Gosto de fazer. De ver, pensar. Normal. Como todo mundo. Algumas pessoas parecem não entender isso. Outras não dão tanto importância ao sexo. Eu entendo. Não que seja uma coisa em que eu coloque em primeiro lugar na minha lista de coisas importantes. Algumas pessoas se enganam em relação a isso. Mas tá lá, sim. É importante pra mim, como pra qualquer outra pessoa que se preocupa em manter o corpo e a mente saudáveis.

Sexo não é só saúde. Pra mim é uma forma poderosa de conexão com o outro. Como uma boa conversa. Como um bom encontro. Sexo é o desejo simples de satisfazer o outro, e ter um pouco pra você. Se conetando com ele, de uma forma que pode ser simples, mas que ao mesmo tempo é belamente complexa. Entender o desejo do outro pelo corpo, entender o outro pelo corpo, e tanto dar, como receber dele, para ele. Simples. Fácil. Sexo nada tem a ver com amor. Muitos se enganam a esse respeito os juntando, e complicando as coisas. Amor é um sentimento que nem acredito que nós humanos consigamos atingir na realidade, alguns chegam perto. Outros nem isso. Talvez porque simplesmente nem todos nasceram para poder sentir isso. Mas mesmo assim, o amor que conhecemos, filosoficamente falando, é um sentimento que se constrói com o tempo. Sexo é um simples desejo de querer dividir com outro, sendo este estranho ou não, o prazer. Muitos já sacam isso hoje, e vivem mais felizes. Transam não só quando estão amando, mas também quando simplesmente estão com vontade de gozar. Não é que essas pessoas vulgarizem o ato. Elas só estão “desproblematizando” o ato, e sendo mais livres.

Então, porque eu gosto de atrizes pornôs? Porque elas fizeram do sexo, algo que gostam, seu meio de vida. Tiveram a coragem de fazer isso numa sociedade em que pessoas compram o sexo a todo momento, mas discriminam vorazmente quem faz dele o seu meio de vida. Ora, se você sabe fazer algo bem feito, porque não cobrar por isso? Porque não expor isso em uma indústria e viver disso? Não, não estou falando de prostituição, pense mais. Pornografia é outra coisa, outra indústria.

O problema para pessoas que resolvem viver deste estilo de vida, principalmente para as mulheres, é o preconceito sofrido. Sempre tachadas de putas pela grande maioria ignorante.

Dia desses vi um programa sobre a indústria pornô americana em que uma das atrizes falavam dos riscos do trabalho. O estupro é um deles. Pense, uma mulher, num set de filmagem, em um lugar estranho, com mais 5 caras desconhecidos. A cena combinada vai ser um Gang Bang. Agora, se de repente algum deles resolver fazer algo fora do script, e os outros concordarem, algo como foder violentamente a mulher mesmo ela dizendo que parem, ela simplesmente não pode fazer nada sobre isso, nem muito menos ir a delegacia depois. Afinal de contas não tem como ela provar que foi estuprada, se antes aceitou, foi de vontade, concordou em estar em um lugar estranho com vários homens estranhos para fazer sexo com eles, e ainda mais sendo uma atriz pornô, que já “está acostumada à fazer sexo violento”. Resumindo, ela trabalha com sexo, esse é um dos riscos. Falando de outra forma, ela é uma puta, e putas recebem o que merecem. Simples.


Nesse sábado, Stoya, minha segunda atriz pornô favorita, e segunda mulher mais linda que já vi na vida, fez um comentário em seu twitter dizendo que foi estuprada pelo também ator do meio pornô James Deen. Os dois foram namorados anos atrás. Pelo twitter, Stoya disse que Deen não respeitou sua palavra de segurança quando ela falou Não, e continuou o que fazia, mesmo ela tendo dito Não.


O estupro pra mim é um dos piores crimes que alguém pode cometer com outro ser. É uma das coisas mais baixas que um ser pode fazer com outro. É uma doença. O estuprador, alguém que só sente prazer com o sexo sendo forçado, deveria não ser só visto como criminoso, mas sim também como um criminoso doente que deve ser retirado totalmente da sociedade, e passar por um tratamento psiquiátrico. Não é a cadeia e o trauma de ser também vítima de estupro que vai corrigi-lo, como nosso sistema penitenciário acredita. Enjaulado, o doente fica lá, mas 10, 20 anos que saia depois, vai cometer o mesmo ato. Pelo simples fato de só conseguir prazer total no sexo, o forçando.


Depois do twitte solto, nem Stoya, nem Deen comentaram sobre o assunto. É uma merda o galã tão querido por algumas na indústria, ter feito isso, se o fez mesmo. Uma merda que ainda hoje, alguns caras não consigam ouvir e entender as palavras; “Não”, “Pare” de mulheres quando estão na cama, pelo simples fato de que elas já estão ali, e devem fazer e terminar o que vieram fazer.

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