domingo, 18 de março de 2012

NÃO VAI TE AFOGAR.




"Saliva" é um curta escrito e dirigido por Esmir Filho sobre a primeira experiência do beijo na boca de uma adolescente. O curta mostra Marina em sua primeira experiência de beijar um garoto, Esmir usa uma fotografia com cores muito belas, e cria cenários sensoriais com a intenção de te colocar a realmente sentir o que está sendo mostrado. O filme feito em 2007 ganhou com um roteiro bem simples e muito bonito diversos prêmios por onde passou como melhor filme, direção e atriz, com a lindinha Hellen Vasconcelos.

Saliva
Direção e roteiro: Esmir Filho
Elenco: Gabriel Cavicchioli, Hellen Vasconcelos, Mayara Comunale
2007
Duração: 15 minutos

segunda-feira, 12 de março de 2012

MAPAS.


Cidade horizontal
Vertical
Vertigem para meus olhos
Defronte ao horizonte perdido
De ruas em formato de letras
H
Y
Z
Cidade de dígitos
Um ship perdido no oceano
Digitais de quem a habita
Cicatrizes em seu mapa.

21/02/06 00:02

terça-feira, 6 de março de 2012

MARCELINHO, O ANALISTA DO PORNÔ.



Peguei esse link do Marcelinho com o companheiro Angelus. O vídeo me chegou com o melhor dos vídeos de humor feitos nos últimos tempos, coisa fina mesmo. Pra mim, o Marcelinho deveria ganhar um horário na TV, tipo aqueles programas que passam na Cultura ou outras emissoras a tarde, pra ele continuar analisando os contos escritos por aí. Enquanto esse dia não chega, e o sucesso do personagem vai crescendo bastante nessa tal de internet, ontem mesmo foi postado mais uma analise de Marcelinho. É ver  e rir.




Marcelinho é uma criação de Erik Gustavo que dirigiu, fez a edição e montagem do vídeo, e de Nigel Goodman.

quinta-feira, 1 de março de 2012

CINEMA GÓTICO E COMTEMPORÂNEO.

Começa amanhã lá na Vila das Artes a mostra Terror Gótico, de filmes da antiga e finada produtora britânica Hammer, os filmes a serem apresentados pelo grupo 24 Quadros foram produzidos a partir de meados dos anos 1950 até os anos 1970. Iniciando com “A Maldição de Frankenstein” de 1957 dirigido por Terence Fisher. Os filmes serão apresentados todas sextas-feiras as 18:30, sempre com uma conversa sobre as produções. Aqui em baixo o que vai rolar.

Programação
Dia 2 - A Maldição de Frankenstein (Inglaterra, 1957. Direção: Terence Fisher)
Dia 9 - Nas Mãos do Estripador (Inglaterra, 1971. Direção: Peter Sasdy)
Dia 16 - Drácula - O Demônio Das Trevas (Inglaterra, 1973. Direção: Dan Curtis)
Dia 23 - O Aniversário (Inglaterra, 1968. Direção: Roy Ward Baker)


já nas quartas-feiras srá apresentado a mostra Cinema Brasileiro Contemporâneo, com curtas e longas. A curadoria da Mostra ficou por conta do cineasta Guto Parente, integrante da Alumbramento Filmes e ex-aluno da primeira turma do Curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes. A cada sessão haverá debate com realizadores, professores e pesquisadores em audiovisual. As sessões acontecem sempre às quartas, a partir de 18h30.

Programação
Dia 14

"Europa", de Leonardo Mouramateus (Documentário, 19 min, CE, 2011)
"A cidade é uma só?", de Adirley Queirós (Documentário, 79 min, DF, 2012)
Dia 21

"Ovos de Dinossauro na Sala de Estar", de Rafael Urban (Documentário, 12 min, PR, 2011)
"Romance de Formação", de Julia de Simone (Documentário, 74 min, RJ, 2011)
Dia 28

"Mens Sana In Corpore Sana", de Juliano Dorneles (Ficção, 21 min, PE, 2011)
"Strovengah - Amor Torto", de André Sampaio (Ficção, 88 min, RJ, 2011)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

É CLITÓRES OU CLÍTORES?


Tem aquela piada infame, boba, ou engraçada pra caralho dos caras conversando:

- É clitóris, ou clítoris?

- Não sei cara, e tava com um ontem na ponta da língua.


Acha que não pode ficar pior, então dê uma sacada na Revista Clitores que saiu em plena terça-feira deste carnaval fajuto que acabou de acabar.


Como eles mesmos dizem, “a gente nem usa acento!” e nem precisa usar na verdade, o importante é chegar mais uma revista literária independente na internet, onde você possa ler contos e poemas, textos barra pesados de escritores que estão por aí mandando ver. E nesta edição inicial, a revista chegou chegando com bons poemas de Camila Fraga e Mário Bortolotto, textos de Adriana Brunstein e Paulão VV, contos de Bruno Bandido e Diego Moraes, uma crônica sobre literatura de Marcelo Mirisola, e ilustrações de Gustavo Duarte.
Para passar seu dedo no clitores dessa publicação que eles mesmos descrevem como “A revista de literatura mais porca que cê já viu”, vem aqui ó. E vale a pena ficar de olho no que ainda vai rolar nessa bagaça.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CARNAVAL 2012 NO FORTE.


Sexta-feira já é, e muitos já estão saindo de Fortaleza para curtir o carnaval. Para quem vai ficar na tranquilidade da cidade, estão marcados alguns dias de folia com boa música no aterro, de graça, o que é muito bom. Amanhã a programação já abre com a cantora Karina Buhr, que vem acredito eu, pela primeira vez a Fortaleza em um show bem aguardado com seu mais recente disco “Longe de Onde”. O já veterano por estas terras Otto, também chega com sua ciranda de maluco, e é sempre bom ter sua visita por aqui. Fora estes dois bons músicos, ainda vai ter amanhã Marcus Caffé e Banda, e Serrão de Castro e Banda. Aqui abaixo a programação free que vai rolar em fortaleza neste carnaval.

Fernando Catatau e Karinah Bhur em ação.

Dia 18/02 - Sábado
Marcus Caffé e Banda
Serrão de Castro e Banda
Karina Buhr e Banda (PE)
Otto e Banda (PE)

Dia 19/02 - Domingo
Orquestra Casa Blanca
Groovytown
Banda Moinho (BA)

Dia 20/02 - Segunda-feira
Batucada Elétrica de Hoto Júnior
Tarcísio Sardinha e Orquestra de Fortaleza
Baile do Simonal com Wilson Simoninha e Max de Castro (RJ)

Dia 21/02 - Terça-feira
Lú de Sousa e Forno Elétrico
Pantico Rocha e Convidados
Arlindo Cruz (RJ)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

POEMA DE AMOR.



Love is hell, hell is love
Hell is asking to be love
Emily Haines

Eu perdido entre tuas pernas brancas
Teus pêlos loiros
Sentindo o hálito do teu sexo
Desvendando os mistérios de teu corpo
Tua geografia perfeita
Norte, sul
Um mundo inteiro
E teus seios em minhas mãos.

O céu vermelho de tua boca cor-de-rosa
E o castanho de teus olhos
Analisando profundamente minha alma
Mostrando-me o caminho do desejo
Liberdade infinita
No perfume de teus cabelos
Tuas mãos
Mostrando-me o que é amar.

04/02/2006 03:28

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

WILCO LIVE IN AUSTIN. E BOA SEMANA PRA VOCÊ TAMBÉM.


Pra começar a semana bem só recebendo um link de um show na integra de uma de suas bandas do coração. Assim é. Caiu na internet o programa de TV estadunidense Austin City Limits que a banda Wilco gravou sábado passado. Em sua segunda passada pelo programa, Wilco gravou um show muito bom, mandando as músicas de seu mais novo disco “The Whole Love” em uma apresentação e gravação impecáveis. Nick Lowe que está abrindo a turnê deste novo disco da banda subiu ao palco e se juntou ao grupo para cantar uma versão deCruel To Be Kind”. Como falei, a apresentação tá impecável de boa. E enquanto eles não chegam ao Forte Fortaleza para fazer um showzasso destes aqui, fico, e fiquem vocês com Wilco Live in Austin.


Watch Wilco on PBS. See more from Austin City Limits.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CORAÇÃO DESTINADO.


Desde o início


Na escura caixa do peito

Meu coração se sabe destinado

À lança.

Dorme a serpente

Inchando seu veneno

Os escorpiões se escondem

Sob as pedras

Corre ainda meu sangue

Livre de peçonha.

Uma lâmina aguarda

Além da esquina

Uma gilete um vírus um projétil

Marcam na estrada pontos de fronteira

Na mesma estrada que caminho

Há tempos

Presos meus pés a inarredáveis trilhos.


Marina Colasanti – Fino Sangue

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AQUILO QUE PERDI PELO CAMINHO.


5 anos é tempo que passa. Dependendo das experiências que se vivencia, 5 anos pode passar ligeiro. Ou bem lentamente. Para a banda Vanguart, 5 anos foi definitivamente um tempo de mudanças e experiências. A banda saiu de Cuiabá e ganhou as estradas do Brasil. Passou a morar em São Paulo e ganhou espaço no cenário da música Brasileira. Trabalharam em projetos paralelos e amadureceram como músicos. 5 anos foi o tempo que passou para gestar o segundo disco da banda, e no meio de 2011 saiu “Boa Parte de mim Vai Embora”, para acabar com certo silêncio e trazer alegria dos fãs. Que sim, para os fãs que a banda conquistou, 5 anos passaram muito devagar na espera de mais um trabalho.
Boa Parte de Mim Vai Embora” foi lançado pelo meio do ano de 2011, e talvez seja um novo marco para o Vanguart. A banda que veio do cenário independente teve seu primeiro e ótimo disco lançado e distribuído junto com a Revista Outra coisa, a boa e infelizmente finada Outra Coisa. Do lançamento do primeiro disco para os anos que seguiram, Vanguart tomou espaço na música, teve musica recebida como hino da geração 00, foi chamada para gravar em uma grande gravadora e nisso perdeu o título de banda independente para alguns. Neste tempo gravaram um DVD registrando este processo. Passaram também pela tensão e pressão do segundo disco, o que o público e a critica esperavam. E então nasceu Boa Parte de Mim...

No segundo disco, Vanguart surge novamente com boas composições, e embora boa parte da imagética das canções de Hélio Flandres não tenha surgido tão bem neste trabalho como era extremamente presente no disco de estreia, as canções são muito bem compostas, diga-se em letras e em arranjos. A formação Folk Rock continua, e dá para ver certo experimentalismo nas músicas. Essas vieram mais carregadas de dor e perdas, o disco é levado sobre uma tristeza pungente. As canções falam de relacionamentos que não deram certo, sensações e sentimentos que se perderam pelos caminhos de vida, essas partes, essas vidas que perdemos pelos caminhos que percorremos. Boa parte de mim... É um disco extremamente carregado, pesado, que poucas vezes encontra uma luz. Em poucos momentos você consegue respirar um pouco mais tranquilo, em poucas canções você consegue sentir alguma alegria, mesmo que nestas canções mais alegres você sinta o peso daquilo que se perdeu. “Mi Vida Eres Tu”, que abre o disco com Hélio cantando em português e espanhol, “Eu Vou Lá”, “Onde Você parou” e "Das Lágrimas" cantada pelo baixista Reginaldo Lincoln são exemplos dessas canções em que o tom alegre mais festivo e dançante aparece, mesmo que as canções falem sim de percas que podem ter sido dolorosas.

No final da audição do disco, a sensação de encontro com aquilo que se perde por aí é sentido, mas também quem escuta consegue distinguir um trabalho de extremo bom gosto de uma banda que continua caminhando neste cenário de música em um país tão difícil de viver de arte de verdade, e a certeza de que Vanguart vai aos poucos se firmando como uma das bandas mais importantes do cenário independente (mesmo que já estejam em uma gravadora não independente). E que lógico, eles ainda tem muito trabalho bom a ser feito. E que com certeza irá ser.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

QUEM SABE ALGUMA ESPERANÇA.


Neste próximo domingo 29 a “Hopeless”, banda que já tocou muito nesta cidade e que tinha fechado trabalhos irá voltar à ativa por uma noite e fazer uma apresentação no Brom´s Party House. Quem irá fazer barulho para abrir a noite serão as ótimas bandas “Dead Leaves” e “Remains”. São 10 pilas a entrada e tá marcado o lance para 16:00 h, mas sabemos que show não começa nessa hora mesmo.
Essa seria a volta de uma das bandas autorais da cidade solar Fortaleza, ou é só por uma noite mesmo? Não sei, mas espero que a noite vingue e que outros músicos voltem com suas bandas para fazer shows, mesmo que sejam esporádicos. A “Psico Indie”, por exemplo, seria muito bem vinda a voltar seus trabalhos gerais.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

THE QUEENS OF NOISE.




Em 1977 The Runaways lançou seu segundo disco; “Queens of Noise” e embora não ter sido assim como o primeiro trabalho da banda, muito bem aceito, trouxe alguns dos grandes hits da banda, as ótimas "Queens of Noise" e "Take It Or Leave It", “Neon Angels on the Road to Ruin” "Born to Be Bad", "Califórnia Paradise", "Hollywood”. As letras que foram quase todas escritas entre Kim Fowley, Joan Jett e Lita Ford, falavam de drogas, sexo, festas e garotas selvagens que saíram de casa para tocar em uma banda de rock, em fim, músicas fáceis de cantar quando você ouve pela primeira vez.
Se o som dessas fugitivas da vida comum e do tédio que cobre tudo para a vivência da grande e melhor religião que é o rock and roll estava amadurecendo e ficando melhor, o mesmo não podia ser dito do relacionamento entre as garotas. Provavelmente as brigas já tinham começado no período do primeiro disco. Brigas e os problemas com drogas. Cherie Currie começou a abusar do uso de cocaína e bebidas, e as brigas comiam de pau entre as integrantes da banda. Fowley também foi um dos responsáveis por diversas dessas complicações, muitos falavam da forma em que ele vinculava o nome da banda fazendo um marketing grande demais em cima delas, explorando a sensualidade das garotas, criando ali uma imagem de rebeldes sem causa para muitos, apenas garotas que queriam tocar e aparecer, sem ter muita preocupação com o som feito. Coisa que nunca pode ser levada a sério tendo Joan Jett no projeto, uma mulher que sempre levou o amor à música como algo crucial em sua vida.

Talvez “Queens of Noise” fosse o começo do fim das Runaways, talvez ali a tensão já estivesse subindo cada vez mais entre as moças, e convenhamos, colocar 5 mulheres juntas trabalhando, não é algo muito fácil de levar por muito tempo. Depois deste disco, ainda lançaram um ao vivo e creio eu dois de estúdio, mas neste “
Queens of Noise” foi o último disco com a voz da bombástica Cherie Currie.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O CANTO DOS PÁSSAROS.


Sempre povoado por uma terrível insônia que não o deixava dormir à noite, e cansado de ir dormir pela manhã com o sol raiando em suas retinas, resolveu furar os olhos, arrancar e comer as córneas para resolver o problema, transformando todos os dias e as manhãs em escuridão. Assim o fez.

Hoje, dorme tranquilo pela manhã o sono que não pode dormir à noite. Mas, mais tranquilo seria se os pássaros não viessem cantar em seus ouvidos no lado de fora da casa.

05/12/05 05:05

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DAS COISAS BONITINHAS DEMAIS.




Se 2012 puder ser melhor, seja.

E que seja mais bonito.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

EMBORA.


Eu ia fazer um texto com a lista dos 10 melhores filmes de 2011, mas então lembrei que neste ano só fui ao cinema quatro vezes. Coisa estranha e que esta ficando cada vez mais normal em minha vida, eu me distanciar daquilo que realmente gosto de fazer. Dá para ver por este blog, que praticamente abandonei neste ano, com falta de assunto, reciclando textos postados em outros lugares e poemas velhos que já foram publicados em outros blogs. É companheiros, é a vida, vamos envelhecendo e a força vai diminuindo. Só não pensei que seria tão rápido.


Vejo como estranho sentir que se chegou em um ponto em que não se pode ter mais as coisas que almejou, aquilo que achava que teria um dia, que coisas iriam mudar, que eu iria mudar. É estranho sentir que um tempo para ter certas coisas já não existe mais, como se eu fosse velho demais para tentar algumas coisas, ter certas experiências. Chega a ser dramático e ridículo sentir que estou passado demais, que o tempo foi embora. Mas realmente, o tempo foi embora.

Ele vai se distanciando e eu vou me distanciando de mim mesmo, sentindo menos vontade de fazer as coisas que me dão prazer, de me tornar alguém que me dê mais prazer. E o cinema parece que foi em uma dessas. Diferente de outras épocas em que quase todos os fins de semana ia ao cinema, neste ano fui apenas quatro vezes. O lance foi de nessas quatro vezes ter visto quatro bons filmes. “Um Lugar Qualquer” de Sofia Coppola, “Bravura Indômita” o faroeste dos irmãos Coen (que diga-se, bem foda, e eu nunca tinha tido  oportunidade de ver um western no cinema), “Contágio” de Steven Soderbergh, e “Atividade Paranormal 3”.  Bons filmes. Não que vi apenas isso durante o ano inteiro, mas o resto ficou por conta dos downloads e tela de computador.

Neste 2011 o cinema de terror me foi bem mais atraente que qualquer outro. Acho que resultado do meu convívio diário com Ju Lopes, e o convívio de um mês com o grande Carlos Primati. Dos filmes que vi de terror nenhum foi lançamento, mas se posso citar, digo dois, “Mártires” de 2008 e “Abnormal Beauty” de 2004 (que aqui no Brasil veio com o subtítulo Desejos Mortais). Quem gosta do gênero, assista que vale.

Em música e livros... Acho que devo ter ouvido uns dois discos lançado este ano, o do Tom Waits e Vanguart são exemplos que ainda estou digerindo, mas ter descoberto Sarah Jaffe e Bon Iver foram os presentes. E claro, continuar descobrindo o mestre Dylan que é sempre bom.
 
Nos livros não consegui bater o número de lidos ano passado. Li 69, esta numeração tão erótica. Talvez “Meridiano de Sangue” tenha sido o mais fodão, mas não sei. A literatura ainda não publicada por editoras talvez seja a que tenha mais me chamado atenção neste ano. O fato de ter descoberto a literatura do Diego Moraes, Camila Fraga e Mafalda Sofia Gomes, foram um dos pontos altos falando em literatura de 2011, esses me inspiraram com sopros bons literários.
Em um ano escrevi uns três contos que consegui dizer; acho que consegui. E nenhum poema que me lembre agora que tenha dito isso. Paciência.
De resto, 2011 foi mais um ano como tanto outros. É o tédio de todos os dias. É a procura por um trabalho decente que nos deixe ricos. É nunca encontrar. É enriquecer sem precisar trabalhar.

Nós vamos continuando então, enquanto o mundo não acabar por completo.











segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

QUANDO O REI PASSA.




Vi via companheiro @brunofrika o link para este vídeo da música "The King rides by" de Cat Power, música originalmente gravada no disco “What Would the Community Think de 96, disco que tocou muito por aqui. Nessa nova versão, Cat Power se reinventa como ela mesma sempre faz, mandando uma música bem mais longa que a original e com efeitos de guitarra e batida diferente, tirando o lado melancólico que dá tanta beleza a canção original. Ainda tô digerindo o som, já acostumado com a versão original que é uma das minhas prediletas do disco de 96.

Parece que Cat Power já tá com disco novo pra sair ano que vem.  E por falar em ano que vem, já estamos no fim de 2011, que sei lá, foi mais um ano parecido com todos os outros. Se em 2012 não acabar tudo como muitos dizem, nós voltamos tentando fazer algo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

TEU ÓDIO É MINHA HERANÇA.


Não me lembro de muitas coisas de minha infância. O passado passa e leva com ele pedaços do que se foi. Eu deixo que ele leve, eu deixo que ele apague em mim o que fui um dia. Já não sou mais aquele garoto que ria quando não sabia o que fazer, já não sou mais aquele que perguntava aos outros se tinha que sorrir quando tirava fotos. Não sou aquele. Eu já não dou mais sorrisos quando não sei o que fazer.
Não me lembro de muitas coisas na minha infância, existem pequenos vestígios, pequenas recordações soltas. Uma das lembranças é dos filmes de faroeste que meu pai assistia, e que eu assistia junto com ele. Filmes preto e branco com carruagens e índios e cowboys. Esses foram os filmes que assistia com meu pai quando era pequeno. Esses são os filmes que ainda assistimos, mesmo que não mais juntos.


Eu e meu pai seguimos caminhos diferentes. Ele dentro de seu jeito sério e ar calado caminhou na estrada que construiu, ou que foi ofertada a ele pela vida. Vivemos juntos mais já vivemos afastados muito um do outro. Eu dentro de meu jeito sério mal humorado, dentro de meu silêncio de quem nunca sabe ou têm o que dizer, vago sem rumo procurando uma estrada para caminhar. Estrada que cada vez parece mais distante. Eu e meu pai, mesmo juntos vivemos vidas opostas, por escolha, gênio, limitações. E ainda hoje assistimos filmes do velho oeste que nunca existiu.
Lembro na infância de vários filmes assistidos na TV. Depois as várias fitas de vídeo alugadas nos finais de semana. Quando eu era pequeno meu pai só alugava filmes de cowboys. Hoje eu já “adulto”, meu pai compra filmes no bom piratão, filmes de cowboys. Ele traz os filmes para casa, e depois de assistir sempre me passa uns bons bang bang para ver. Isso de ver filmes de faroeste nos dias de hoje pode parecer demodê, mas é algo que ainda faço com gosto, sentindo prazer em ver um tempo que nunca existiu.


Mesmo caminhando juntos, eu e meu velho estamos afastados porque nunca soubemos dizer um ao outro o que sentimos um ao outro. Vez ou outra algum sentimento sendo mostrado, alguma palavra, algum sonho não realizado que ele ainda espera realizar, e que provavelmente nunca irá. Nós sabemos que nos amamos, mas não sabemos falar isso um ao outro. Bem ao estilo de homens durões de filmes antigos, tudo se mostra no olhar.
Enquanto existir faroestes antigos e novos, continuaremos assistindo faroestes, homens durões que cavalgam em meio a um deserto, homens que falam com o olhar. Eu e meu pai. Mesmo que não assistindo juntos na mesma TV, ele sempre vai me passar uns bons filmes depois de assistir.


Diário - Quinta – feira 12/11/2009 18:38

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

INVENTANDO POESIA.



O Pai – Uma Livre Perversão” é produção dos novos realizadores de áudio visual dessa terra Fortaleza Cidade Solar. Dirigido por P.h Diaz, tem no elenco Fernando Saldanha e a poeta Patrícia Lopes. O curta com pouco mais de três minutos de duração ficou muito bom, e não sei se é só viajem minha, mas me remeteu ao cinema brasileiro do final dos anos 70 e anos 80.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

HEY JIM, YOU´VE BEEN DURING MY CHILDHOOD AND WHILE I WAS A TEENAGER.



Aí um cara e uma banda que estiveram presentes diariamente na minha infância e adolescência.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PUMAS.

Todos os barulhos que são formados na rua

Transformam-se em cama e travesseiro

Para quem sabe um sono futuro.



O sol por sua vez nasce contra crepúsculo nublado

Acima de minha cabeça,

O vento traz cheiro de irmã puma incestuosa

Que se esconde na parte baixa do inconsciente.



Meu peito aberto é campo de guerra

Meu coração frágil é alvo fácil.



(De teus olhos estrelas nascem mortas

E de teu peito pássaros cantam tristezas)



Minha melancolia é derramada lentamente pela casa

E em meus olhos cristais de sono são formados.





30/09/05 – 06:15

terça-feira, 29 de novembro de 2011

VERTIGEM.

Preso nesta ilha fixada em mim


Preso neste poema que ainda não concluí


Eu sinto a vertigem e o abismo de toda minha vida


Vejo pequenas mordidas de meus medos


Que se alimentam de meus anseios


Meus sonhos ainda pendentes.



11/09/2005 22:13

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

HOMEM DE MUITAS VIDAS.


Um jovem que tinha muito a dizer com seu violão. Era 1962 quando Bob Dylan (nascido em Minnesota como Robert Allen Zimmerman) lançou seu primeiro disco, onde sem banda alguma, Dylan cantava seu Folk Blues apenas com seu violão e gaita. Talvez na época não imaginassem que o jovem que lançava um disco com apenas duas músicas próprias ("Song to Woody” e “Talkin' New York”) se tornaria um dos grandes cantores e melhores compositores da América, escolhido em 2004 pela revista Rolling Stone, como o 2º melhor artista de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles. Sim, o jovem tinha muito a dizer, e o fez, e continua até os dias atuais graças aos deuses, e é triste pensar que um dia irá parar de fazer isso. Bob Dylan teve muitas vidas, e neste seu disco de estreia estava apenas começando uma delas.
.



Aqui Dylan em 1963 cantando “Man of Constant Sorrow”, talvez a música mais bonita de seu disco de estreia.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

ABISMOS.

Diego Moraes soltou um link e disse; “A escritora mais barra pesada da internet.” Se referindo à escritora Camila Fraga. Então eu fui ver, queria ler isso. Me conectei ao blog e encontrei:
Vou devorar o diabo e deixá-lo em carne viva.
abrir os portões do inferno
e injetar adrenalina pra não dormir.
o mundo me faz mal,
mal pra caralho.

Pensei, é, é barra pesada mesmo. Passei a barra e encontrei mais

Amar é foda

na cama dele o
cheiro de outras bucetas
na minha o meu cheiro
essa eterna solidão
um jazz ligado no rádio baixinho
tento não pensar em porra
nenhuma
acendo um cigarro no banho
e deixo as cinzas caindo
em meus pés
na cama dele o
cheiro de outras mulheres
o cheiro delas talvez nunca
saia.
eu ainda ligo um tanto
pra isso
eu ainda me importo
que eu não seja a única
eu sempre vou
me importar.


Realmente, Camila Fraga se mostrou umas das escritoras mais barra pesada, perigosa que encontrei na internet nestes últimos tempos, sua poesia vai do delicado e forte ao falar das desilusões dos dias e das solidões nossas de quase todas as horas, ao violento necessário falando da falta de bons olhos a enxergar este mundo cão em que vivemos. Em seu blog, Camila tem colocado uma porção te textos daqueles que você solta um suspiro por ter encontrado boa literatura enquanto está lendo. Coisas que batem no fundo da alma guardada em cantos escuros do corpo. Textos poderosos e certeiros com os quais tenho me identificado fortemente. Camila escreve com uma violência poderosa sobre seus abismos internos, como se jogasse sangue na tela do computador enquanto posta seus textos. Camila escreve com um sangue marejado à cigarros e uísque em seus poemas, e isso é bom de ver, bom de ler uma escritora sem firulas mandando uma boa literatura hoje em dia. E difícil não se identificar.

a maioria das noites eu durmo às quatro da manhã. ou até mesmo lá pelas seis, quando o dia quase diz que vai amanhecer, mas a porra do sol nunca desce antes das oito e meia da manhã. tenho tido problemas com a droga do sono. fico pensando em merda antes de dormir. eu trouxe uns livros comigo, a maioria eu já li e depois perdi o saco de ler qualquer coisa. tenho escrito pouco. uns poemas ruins pra diabo que às vezes eu digito antes de tentar pegar no sono, lá pelas 4. eu deito e fico tossindo pra valer. essa tosse nunca vai passar. tô há quase 3 semanas com ela. é a minha única companheira. perdi o cabo do meu mp3, não sei como tô conseguindo sobreviver sem abstrair do mundo. é uma merda entender todas as conversas em espanhol. todo mundo conversa sobre as mesmas merdas, num importa o país. às vezes sinto vontade de comprar uma vitrola e ficar horas ouvindo uns punks espanhóis bem fudidos, mas não tenho dinheiro. só resta sentar nesse sofá fedorento da sala, ligar a tv e assistir friends e two and a half man em espanhol e comer um miojo frio que deixei na geladeira de ontem.
 Este e outros textos de Camila, lá no blog da garota.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

PORQUE HOJE É SEXTA.





Depois tem gente que não me entende.





Bom, pra quem se diverte, bom fim de semana.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

LUZ.


Acordou no meio da noite e percebeu que um ser luminoso estava ao seu lado, um ser nunca visto por ela antes, que expandia uma luz confortante. Estranhamente não se assustou, mas pensou que por causa da luz expandida não conseguiria voltar a dormir. A luz por sua vez era um tipo de energia tão confortável, que logo adormeceu e dormiu o sono daqueles que merecem, acordando no dia seguinte revigorada e muito mais alegre.

Muitas de suas colegas de trabalho a perguntavam o segredo de tanto bom humor e disposição, cogitando até algum romance, mas ela com um sorriso apenas, guardava para si o segredo noturno.

Assim foi durante meses, acordava no meio da noite com a estranha luminosidade, percebendo que o ser expandia cada vez mais luz ao seu lado na cama, e logo voltava a dormir tranqüila.

Mas depois de meses acontecendo isso, numa noite acordou como de costume e notou que nenhum ser estava ao seu lado, só a escuridão tinha voltado a lhe fazer companhia. Nenhuma luz a seu lado existia.

Hoje, não conseguindo mais dormir no escuro (todas as luzes da casa ligadas), vive perturbada com uma crise crônica de insônia.

31/08/05 – 01:42

sábado, 12 de novembro de 2011

SUBURBAN NATURE.


Sarah Jaffe é uma loirinha linda de olhos verdes matadores vinda de Denton, Texas. Lançou seu primeiro Ep em 2008 e em 2010 lançou “Suburban Nature”, disco com 14 canções produzido por John Congleton, que já produziu artistas como Explosions in the Sky.



Com uma levada folk, Sarah manda músicas calmas, melancólicas, e algumas com certo tom dramático, mas todas boas de ouvir. “Suburban Nature” já te ganha na primeira faixa com uma pegada bem boa "Before You Go". "Stay With Me" é aquela música calma, com uma construção interessante que fica na sua cabeça depois de ouvir, assim como "Clementine". Depois daí, pode-se dIzer que o disco já te ganhou, e continuar ouvindo é fácil, fáci


Pra ouvir “Suburban Nature” aqui ó.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

GÊMEOS.


Nasceram gêmeos, ligados um ao outro pelo corpo. Na infância um queria brincar com bola, o outro com carrinho. Cresceram então com opiniões diversas, o que um queria, não necessariamente era o desejo do outro.

Na adolescência um apaixonou-se por uma ruiva de cabelos curtos, o outro, por uma loira de cabelos longos na cintura. A loira foi embora, deixando um a sofrer e o outro a lhe enxugar as lágrimas.

Lá pelos trinta, decidiram fazer uma operação para separaração de corpo, pois o convívio já não era tão suportável como antes. Operação feita, cada qual para seu canto, agora eram vidas extremamente divididas.

Mas somente no apartamento vazio, no silêncio pleno onde nenhum barulho era companhia, souberam separadamente que não poderiam viver um sem a presença e as manias do outro.

Hoje, moram juntos dividindo o mesmo apartamento e o mesmo quarto.

30/08/05 – 14:44