sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A PALAVRA NUNCA.

Existem certas experiências que a literatura lhe proporciona. Como a de ler uma estória onde o escritor descreve a caminhada de uma patrulha de soldados em plena guerra, e descreve a chuva que começa, o cheiro do mato molhado e bosta de vaca, e você, deitado em sua cama, dentro do seu quarto com as janelas fechadas em plena duas horas da madrugada começa a sentir o cheiro de mato molhado. É um ponto em que você está tão compenetrado na estória, em que o escritor consegue lhe envolver tão bem e o segura na narrativa, que ela começa a tornar-se algo palpável dentro de você. Você está dentro da narrativa, ela faz parte de você agora. As palavras e seu poder. E foi algo assim que aconteceu comigo enquanto lia uma das estórias do livro “A Palavra Nunca” de Eric Nepomuceno.

Livro de contos escrito entre os anos 70 e começo dos anos 80, os contos foram escritos antes de meu nascimento, e me caiu nas mãos a uns 6 anos atrás por via de um professor. Reencontrei o livro no final de dezembro de 2010 em um sebo, enquanto procurava algum um livro para presentear. E assim que o vi, logo tratei de colocar em meu bolso.

Em “A Palavra Nunca” Eric Nepomuceno fala em seus contos sobre a infância, sobre o tempo que passa, sobre as mudanças que a vida proporciona, sobre tempo que não pode mais voltar. Fala belamente da saudade da infância, de amores jogados fora, de pessoas abandonas e nunca esquecidas. Fala da memória e em como ela pode se tornar uma cicatriz pronta a ser aberta a qualquer momento pelas gavetas da mesma memória.

Dividindo o livro em 5 partes; “Histórias da Primavera”, “Histórias de Inverno”, “Histórias sem tempo”, “Histórias do Outono” e “Histórias de um Tempo Qualquer”, Nepomuceno escreve sobre a solidão, medo, descrença e o horror que é a guerra, costurando maravilhosamente contos que se tornam quase reais quando lidos. As sensações são emanadas a ponto que o leitor possa sentir um cheiro, um gosto, uma tristeza, a ponta da melancolia de um tempo em que todos vivemos, e que já se foi. E que nunca poderá ser recobrado.

5 comentários:

M. disse...

Não conheço....

Gira esta troca...

Vai para a lista de espera...lol

Diego moraes disse...

Deu mó vontade de ler essa bagaça.

Carlos Alberto disse...

Muito bom este livro. Gosto bastante.

Ismael Angelus disse...

CARALHO!

Eu nunca tinha conhecido ninguém que tivesse lido também esse livro. Eu o li nos meus 16 anos enquanto matava as aulas de matemática na escola.

A cena onde os soldados estupram a moça é realmente uma das mais marcantes e angustiantes dessa obra.

Carlos Alberto disse...

O livro é triste, amargo e alegre ao mesmo tempo, nostálgico. Daí eu ter gostado tanto. "O Último" é realmente um dos contos mais marcantes do livro, a angustia é sentida dentro do peito.