segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

LENTAMENTE.

eu tenho tantas mortes de perfil
que por isso não morro,
sou incapaz de fazê-lo
Pablo neruda

Eu não morrerei de uma vez só
Estou morrendo do dia em que nasci,
Em processo lento de morte
Do dia em que fui posto neste mundo.

Eu não morrerei de uma vez
Tenho sim uma agulha cravada no peito
Que não faz sangrar normalmente
Mas onde é hemorragia contínua.

Não morrerei assim rápido,
Morro diariamente
Como quem sorri
Como quem sente alguma alegria.

Eu morro devagar,
Lento,
E ainda assim renascendo diariamente.

Morrerei como quem nasce
Dolorosamente.

E vou espalhando meus pedaços
Pelos quatro cantos da cidade
Ruas e praças
Postes e barres
E quem me vê andando
Nada sabe da dor que falo.


25/02/2008 23:22

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