domingo, 4 de fevereiro de 2018

04/02/2018

Ontem, nesse mesmo horário, eu estava na casa do meu amigo. Sentados, tomando uma baldada, nós conversávamos sobre os rumos do mundo e da humanidade. Não era nada pretensioso, nós só estávamos tentando entender o que está acontecendo. E no nosso ponto de vista, o mundo vai mal. Mais já vai mal a muito tempo também. Só está piorando. Talvez nunca existiu um momento em nossas vidas em que existiu tanto medo social como está acontecendo agora. Gente cada vez com mais medo de gente. Uma das coisas que mais se falam hoje em dia é “Não confie em ninguém”. Um dos conselhos no momento é “Não saia de casa, se não for extremamente necessário”. Gente com medo de gente. Gente com medo de andar na rua e sofrer algum tipo de violência. Mas não foi sempre assim. 20 anos atrás, era natural ver pessoas sentadas em calçadas em muitos bairros da cidade até tarde da noite. 20 anos atrás era normal você andar em um bairro estranho, pedir água em alguma casa, e ser atendido. Hoje em dia, falávamos, isso não existe mais, acabou. Não existem mais pessoas interessadas em ajudar algum estranho. Nós conversávamos.

Hoje no final da tarde eu sai pra pedalar. Queria quebrar pros 15 km. Preparei uma trilha e saí. Mas no quarto km a corrente da bike começou a cair. Coloquei, mas ela caiu de novo. Resolvi voltar, parei em uma praça, coloquei a corrente mais uma vez. Pedalei mais um quarteirão e de novo caiu. Parei em outra praça e coloquei mais uma vez a corrente. Passou um cara forte carregando o filho. Coloquei a corrente e fiquei sentado fumando, pra relaxar. O cara volta com o filho e me pergunta se o pneu tinha furado. Falei pra ele da corrente. Ele olha, fala que um lance lá tá frouxo e solta; “Eu moro bem ali, quer ir lá, eu tenho a chave, aperto aí pra você”. E eu fui. Fomos descendo a rua e minha cabeça ficou pensando, e se esse cara me roubar. Se ele for fechado com a galera por aqui, e pegar minha bike, meu celular. É o pensamento que fica na nossa cabeça, desconfie de todo mundo. Do outro lado ele estava falando que já teve o pneu da bicicleta furado no meio do caminho e pediu ajuda numa oficina e não foi atendido, então aprendeu a fazer sozinho. “Macho, o cara não quis me ajudar, mas eu não me importo em ajudar quem eu vejo que tá com problema”. Chegamos na casa do cara, ele me mostra suas bicicletas, uma é muito pesada pra mim, nunca conseguiria andar com ela. Ele vem com a chave, aperta os parafusos. Vem com uma bomba, calibra os pneus. Me oferece água pra lavar as mãos e me fala como volto pra minha rota. Na despedida, solta; “Precisando é só voltar aqui”. E eu respondo, “Se minha corrente cair por aqui de novo, passo aqui na tua casa”. Me despeço e volto pra casa pedalando.

Diário de Bordo

Nenhum comentário: