O POEMA.

Tua linguagem subterrânea te afasta do mundo.
Por acaso o poema é teu sol?
Ilumina teus sonhos, aquece teu espírito?
Ou é teu modo de viver sem a vida?
Teu encontro cotidiano com a morte?
Que fazes das palavras que te perseguem
em seu imantado mistério e em sua ordem?
Que fazes da unidade e do equilíbrio que elas te
        ofertam?
Se não percebes esse momento divino
uma flecha venenosa atravessará teu coração.
De nada te servirá a poesia.

José Alcides Pinto - Silêncio Branco

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