sexta-feira, 25 de novembro de 2016

VIDA DE INTERIOR.

A Zé Grilo, Procópio, Cecília, Jacó, Celina, Quinha, Josepha, Mazé, Nireuda.
In Memorian de Munda.

Rebeca vem descendo a rua, já tá ficando moça, os seios já despontam e apontam pro começo da estrada lá embaixo, os peito apontando mais pra cima, e ainda têm 14 anos, veja só! No meu tempo as menina demoravam mais pra criar peito e ficarem mulher. Mas veja só a Elda, treze ano e já é um pedação de mulhé, uma tentação que só vendo. Toda vez que passa por aqui tenho que segurar ozolho porque se não vão junto com ela, e olha que pernas a menina tem! Duas perna morena que tão sempre à mostra por causa das saia pequena que as menina de hoje usa. No meu tempo as menina andava mais vestida. Acho que gosto mais dos tempo de hoje. O problema é só você dizê alguma coisa com uma delas, aí sim é um problema. Você veja o caso da Elda, aos treze ano e já deu aquele problema com aquele sujeito lá do outro lado. Pegaram eles dois não sei onde fazendo não sei o quê, só vi o tamanho da confusão e da falação que deu tudo. O pai dela descendo a mil nessa rua onde só moto desce rápido. Pois desceu mais rápido que moto, e quando trouxe ela, eu nem vi, tive que fazer nem me lembro mais o quê. Daí ela nem saía de casa, só pra ir pro colégio. Hoje passa pra lá e pra cá com a Rebeca, e vive de conversa com aquele outro sujeito, lá pelas horas da noite. Daqui uns dia a Rebeca vai ser mulher toda. Daqui uns dia.

O Procópio deu pra ajeitar a frente da casa hoje, ainda não começô a beber. “Ô Procópio, cadê a cachaça?” Pergunto soltando um grito pro outro lado da rua. Ele olha de lado e responde: “Cadê?!” Zé grilo que vinha lá de baixo ri olhando pra mim. “Ainda não começou a beber, esse aí, mas também quando começá, só para quando caí”. Diz. “Pra onde esse ai vai?” Pergunta a Munda sentada do meu lado esquerdo. É o seu João que vem descendo. “Pra onde tu vai, João?” A Munda pergunta. “Vô lá na fêra, ver se ainda encontro alguma coisa pra comprá.” Responde o João já indo. “Arrancaram todo os mato, tu viu?” Pergunta o Zé. “É, foi, a máquina veio ontem e arrancou tudo. Agora tá tudo limpo, limpo.” Responde a Munda. “Agora quando vier as chuva, não vai dá muito trabalho pra gente, não é verdade” O Zé pergunta olhando pra mim e pra Munda ao mesmo tempo. “È verdade Zé, é verdade, agora ficou tudo limpo.” Eu respondo enquanto vejo seu Raimundo vindo lá de dentro dos mato com um balde de manga. “Você divia era dar uma dessas manga pra mim, ô Raimundo.” A Munda diz rindo. Seu Raimundo se aproxima e dá a maior manga que traz no balde, sorri e vai embora. “Agente diz assim pra ele dar de verdade.” Diz a Munda rindo. Eu dou uma risada e digo: “Essa Munda se criou foi sozinha, Zé!” O Zé ri. A Munda ri e diz: “Eu deixei de ser besta foi cedo.” Todos nós rimos. “Ô Procópio, cadê a cachaça?” Pergunto num grito. Ele ri e de diz: “Cadê?”. “Ele já tá quase terminando, e isso por que ainda não tá bebeno, porque se tivesse, vixe! Nem tinha começado.” O Zé me diz. Lá de cima vem descendo um cachorro, “Vá vestir suas calça, cachorro!” É a Munda quem fala. Todo cachorro que para perto dela, ela diz isso. “Os cachorro tudo sem calça heim, Munda?!” Digo. “Pois num é, uma arrumação dessas, cachorro e cachorra tudo sem calça!” Ela responde. Sobe um de moto, daqui pra pôco é um outro que vai descer. Ontem o menino do seu Rogério levou uma queda lá em cima. É desse jeito sempre, vivo aqui a minha vida inteira, os dias são sempre assim, o banco na calçada, o povo que sobe e que desce, as festa na praça que eu só vô de vez em quanto hoje em dia. Ô vida besta essa!


11/01/2008 14:40

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