sábado, 12 de novembro de 2016

HEY MAN, THAT´S NO WAY TO SAY GOODBYE.

Lembrei de uma conversa onde uma colega me perguntou o que eu tava fazendo e eu disse que ouvindo música. Ela perguntou o que eu ouvia. Falei Leonard Cohen. Ela respondeu que não conhecia. Mandei pra ela “I'm Your Man”, que tava ouvindo no momento. Minutos depois ela me escreve que se alguém cantasse assim pra ela um dia, era capaz dela morrer. Mister Cohen parece que sempre soube das coisas. 

Leonard fez a passagem, deixando uma obra que parece ser grandiosa. Uma obra que ainda não conheço por completo. Passei a acompanhar o trabalho do cantor tardiamente, na verdade acompanhei de verdade por agora, onde praticamente lançava um disco por ano nos últimos três que estão passando. Mês passado saiu, e pode-se dizer infelizmente, o último disco do cantor; “You Want It Darker”. Acho que me identifico mais com essa fase mais velha de Cohen, onde sua voz cada vez mais grave, onde seu jeito de cantar era quase como quem declama profundamente poemas em um microfone. Nestes últimos 3 discos Cohen falava bastante sobre o fim, como quem entendendo a idade que tinha, entendia que tava chegando mesmo. Em algumas letras falava que não tinha mais muito tempo, futuro, ou planos, mas ia vivendo. Falava da escuridão que nos habita e lembrava do passado e das perdas, e as deixava pra trás.

Lembrei agora de um colega com quem costumava conversar, ele falava que a coisa que mais gostava era quando um escritor ou cantor morria, assim ele teria todo tempo do mundo para ler ou ouvir toda sua obra. Era uma tentativa de ser irônico, sendo jovem, ser um pouco engraçado. Realmente tempo é tudo o que temos nessa vida, mas não temos todo o tempo do mundo. Nosso tempo é curto e vai se extinguindo a cada segundo. Somos uma máquina que vai terminando lentamente. Talvez essa seja uma das grandes belezas da vida. Esse tempo curto e o que podemos deixar como lembrança pros outros. 

Diferente de meu colega, quando algum artista que gosto vai embora, eu sempre fico com aquela sensação estranha dentro da minha cabeça de que não vou ouvir nada inédito, ler algo novo. Que ano que vem não cai disco novo de mister Cohen. É a vida.

 

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