quarta-feira, 7 de setembro de 2016

UMA ESTRELA.

Uma estrela flutuou e entrou pela persiana aberta de minha janela. Uma estrela branca, um floco de neve. Mas como um floco de neve poderia aparecer nessa cidade? Não sei, talvez seja só a madrugada.
Existem tantas coisas que ainda não sei, tantas coisas que estou longe de entender. Levando em conta minha idade já deveria saber de muito, entender tudo melhor. Mas não, passo por essa vida sem dela retirar grandes ensinamentos. O tempo não para, e eu parada no ar sem saber aonde ir.
Semana passada encontrei com um antigo amigo de colégio. Quanto tempo fazia? 7, 13, 30 anos que tudo passou? Nem lembro mais direito desse tempo. Todos tão juntos, promessas que o tempo não nos separaria, a turma que sempre estaria unida.
O tempo passou e o que aconteceu? Encontro com um ou outro em ocasiões extremamente separadas. Sorrisos e a promessa de uma cerveja, um sorvete, uma conversa. Engraçado, sempre algo frio. O tempo passa e leva com ele pedaços de nós.
Meu amigo me disse que estava bem, trabalhando muito, falta de tempo sempre presente em sua vida, mulher, filhos, casa na praia. – “Qualquer dia apareça, vamos reunir a velha turma! O que anda fazendo?” - O que ando fazendo?! Reunir a velha turma?! – “Vamos marcar um próximo encontro, te apresento meus filhos, minha esposa.” – Provavelmente nunca mais nos veremos, ou quando nos esbarrarmos novamente o tempo terá me levado de sua memória para um já não reconhecimento. O tempo carrega pedaços da alma, espelhos do que se foi.
Acendo um cigarro, sentada na cadeira olhando para a janela com as persianas abertas. Uma lágrima escorre de um olho, não consigo segurar a melancolia. Lentamente outro floco de neve entra por um das persianas abertas, vem flutuando até cair na palma de minha mão. Branco, brilhante. Seria mesmo uma estrela?
28/06/2006 06:00

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