Ilha Saturnino Vieira não conseguia dormir, saiu da cama e foi à cozinha encher um copo com água para tomar o seu comprimido. Sentia-se infeliz, sabia que se não tomasse um comprimido seria dominado por pensamentos soturnos. Todo homem é uma ilha, você não vai ouvir sinos tocarem, ele pensava, olhando o copo em sua mão. Por alguma razão devia tomar o comprimido com água, ainda que eles, pequenos e cobertos por uma camada lisa e adocicada, não precisassem de ajuda para escorregar pela sua garganta. Ele era uma ilha, o resto era conversa fiada. Enquanto fosse vivo, ficaria sozinho na ilha. Morto, não sabia o que aconteceria. Provavelmente nada. Claro que era melhor estar vivo que morto. Por enquanto. Mas sabia que seu insulamento não tinha fim, comprimidos e mulheres faziam efeito apenas por algum tempo. Todos os prazeres eram fugazes. Todo diálogo era de surdos. Ninguém entendia ninguém. Passou pelo quarto, o copo com água na mão, para ir ao banheiro, onde os comprimidos estavam ...