domingo, 9 de agosto de 2015

AOS FANTASMAS.

Pai, você bebia muito, e um dia chegou em casa tarde da noite, bêbado, bateu em mim e quebrou meu braço. Mas eu sei que você me amava. Eu vi os meses seguintes que passou sem beber e tentando colocar as coisas em ordem. Você se descontrolou no trabalho e agrediu aquele garoto, você perdeu o trabalho na escola e eu sei que foi procurar trabalho naquele hotel para nos sustentar, para tentar segurar as coisas que já estavam ruindo. Você nos isolou naquele hotel velho e longe de todo o mundo por uma boa razão, eu sei, tentando nos unir de novo. Mas você perdeu o controle e voltou a beber com os fantasmas. Pai, você perseguiu a mim e minha mãe com um machado na mão querendo nos matar, mas eu sei que na última hora, quando “a coisa” estava tomando de conta, você se entregou para não entregar a mim e minha mãe à morte. Eu sei que você me amava, eu conseguia ler seus pensamentos. Eu te amo muito também pai. Eu sinto muito sua falta.


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