segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O PERIGO.

Acordo e já é dia, o sol entra pelas cortinas. Não sei que horas são. Então viro pra mesinha ao lado da cama e vejo no relógio digital em cores vermelhas que já passam das nove. Olho pro quarto espaçoso. Me sinto cansado. Ontem bebi muito. Sei que ela me trouxe pra cá, e já foi embora. Provavelmente pro trabalho. Não deixou recado no travesseiro ao lado, como nos filmes. Levanto da cama. Caminho um pouco pelo quarto, vou até a janela e vejo a rua. Um garoto passa de bicicleta. Vou ao banheiro. Espaçoso. Essa casa é boa, ela deve ter um bom emprego. Lavo o rosto. Saio. Caminho pelo corredor e encontro a cozinha, abro a geladeira. Ela tem um bom emprego. O que a fez me trazer aqui ontem? O que queria com um cara como eu? E ela foi embora e me deixou em sua casa. Caminho até a sala e sento no sofá, me esparramando como se isso tudo fosse meu por alguns minutos. Mas nada disso poderia ser meu, nada disso foi feito para um cara como eu. Sei que poderia me acostumar com isso, e então é onde sempre sei que está o perigo. Fito o teto e penso em cigarro. Levanto, volto pro quarto. Procuro e não encontro. Tenho que sair pra comprar. E então me deito de novo. E o sono vem novamente.


Acordo e vejo no relógio que dormi mais de uma hora. Levanto, vou ao banheiro, embaixo do chuveiro quase não penso em nada. Quase não penso em ficar por aqui o dia inteiro, depois sair, comprar algumas coisas, preparar um jantar pra ela quando chegar à noite. Quem sabe garantir sexo e hospedagem de graça por algumas semanas. Quase não penso que poderia morar nessa casa pro resto de minha vida enquanto ela vai trabalhar. Com aquela TV grande pendurada na parede, com aquela geladeira cheia de comida e bebida. Quase não estou pensando nisso enquanto me visto e saio do quarto. Caminho até a sala. Abro a porta e o sol cega meus olhos por um momento que parece uma eternidade.


12/01/2010 00:17 – 00:29

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