quinta-feira, 11 de junho de 2015

A VIDA NÃO É NADA DO QUE EU PENSAVA.

Ernst Ludwig Kirchner, Artistin Marzella


Hoje vivi um pouco
Talvez uns
Segundos
Coisa de façanha

Foi mérito alheio
Trazido à boca

Nada que alarmasse
Os vizinhos

Apenas
Pouco

...

Como lavar e etc.

Por que razão
Fazemos perguntas
Quando já temos a
Resposta mais que escrita
E triturada
Na cabeça e
No corpo?

Repetir o que sabemos
Mas não queremos
Talvez seja forma
De limpeza
Coisa de roupa suja
Que precisa de
Quarar ao sol
Para só assim
Desaparecer

Porque para sumir
Mesmo
É preciso morrer
Como morrem
Os indigentes
Sem deixar lástimas,
Ou nome no
Cemitério

Quero que a
Minha dor
Acabe assim
Sem corpo

...

A vida não é nada
Nada
Do que eu pensava

Imaginava uma vista
Do Arizona
Seca e bela
Larga até o fim do
Mundo
Onde tudo existia
Pelo meu gosto
Ou tristeza

Pedi areia sem água
Veio amor sem remédio
E coisas de permanência
Sem tempo e sem memória

Pensei, então,
Em rolar mil anos
Por essa ribanceira e
Um dia
Acordar e
Abraçar
Você

Dora Ribeiro 

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