sexta-feira, 31 de outubro de 2014

POR ONDE ANDA ARTURO BANDINI?

Arturo Bandini é um dos meus personagens favoritos na ficção. A primeira vez que li uma estória de John Fante com o personagem foi em “Sonhos de Bunker Hill”. Fiquei maravilhado com o senso de humor de Fante usado na construção tanto do personagem como nas situações que o colocava. Deitava e lia e ria sozinho de diversas coisas que aconteciam com Bandini, um personagem tão humano, que cometia erros tão humanos que é quase difícil não se apaixonar. Adorei “Sonhos de Bunker Hill” de imediato, o li duas vezes no ano em que o comprei, e então já estava meio que tomado pela literatura de John Fante. A emoção nas histórias do escritor escorre pelas páginas.

Um tempo depois li “1933 Foi um Ano Ruim”. Li o livro de uma deitada só. O dia amanhecia e eu terminava as ultimas páginas. E o final, que final. Daqueles que você se segura pras lágrimas não rolarem no seu rosto. Desta vez a narrativa acontecia ao redor de Dominic Molise, um garoto que sonhava em ser jogador de beisebol.

Voltei a Arturo Bandini em “Pergunte ao Pó”, considerada obra prima de Fante. Nem é minha “aventura” favorita com o personagem, em “Sonhos... ainda o acho mais certeiro, com o humor mais presente, mas afiado. Mas não podia me segurar, por exemplo, em momentos como quando Bandini descobre que Camila fumava maconha. Aquele; Então é isso, Camila era uma maconheira. Me surgia como algo tão engraçado, tão cheio de pudor, tão moralista, que não conseguia me segurar e rir.

Hoje terminei de ler “O Caminho de Los Angeles”, o primeiro livro que Fante escreveu, e que só veio ser publicado postumamente. E lá estava Arturo Bandini. Tão moleque, tão endiabrado e tão louco. Em diversos momentos o personagem chega a encher o saco do leitor. Tão humano querendo construir uma obra original, algo que saísse de sua cabeça, e preso pela família, pelo ato de ter que trabalhar.

Fante foi um escritor fenomenal. Suas obras estão sempre repletas de humor quanto de dor. Seus personagens sempre pobres, com poucas chances e perspectivas de mudança de vida. Bandini sempre rodeado pela pobreza, querendo apenas escrever algumas linhas para mostrar ao que veio. E aquela família italiana que rodeia todos os personagens.

É fato que Fante repetia demais alguns elementos. A questão da própria família, do pai pedreiro que não conseguia trabalhar, do personagem escritor, estão lá em quase todos os livros e contos dele, mas mesmo assim, Fante foi um grande narrador. Poucos escritores conseguiram passar emoção de uma maneira tão forte em seus escritos como ele.

(“Por Onde Anda Arturo Bandini?” é o título de uma novela que comecei a escrever anos atrás, mas que como tudo em mim, permanece inacabado. Talvez um dia)

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