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Mostrando postagens com o rótulo Poesia

SUGAR.

à e. De tuas mãos escorre o silêncio do teu sono que aos poucos me faz companhia neste domingo. Vejo tuas letras escritas no papel e teu rosto em imagem na memória me aparece. Tua voz em lacunas em minha imaginação.  Teu cheiro eu procuro na xícara do café. Tento então tolamente recriar teu nome, que aos poucos vai me surgindo nas paredes na memória. Tento recriar teu rosto que me surgiu nublado no sonho da noite passada, enquanto leio tuas letras que me vieram suspensas com gosto de lágrimas, neste papel tão branco. 25/08/2008 21:59

S.

Poucos realmente são aqueles que sabem o que é estar perdidos em alto mar, e sentir que não se é capaz de ser o capitão do próprio navio. 29/07/08 23:50

Voltavime.

“ E deu-se que um dia eu o matei, por merecimento. ” Torquato Neto E daí que um dia eu a esqueci por completo. Ou quis, Ou fingi esquecer. Eu sou um homem desesperado Caminhando à margem do rio de minhas memórias. 05/05/2008 21:50

LENTAMENTE.

“ eu tenho tantas mortes de perfil que por isso não morro, sou incapaz de fazê-lo ” Pablo neruda Eu não morrerei de uma vez só Estou morrendo do dia em que nasci, Em processo lento de morte Do dia em que fui posto neste mundo. Eu não morrerei de uma vez T enho sim uma agulha cravada no peito Q ue não faz sangrar normalmente M as onde é hemorragia contínua. N ão morrerei assim rápido, M orro diariamente C omo quem sorri C omo quem sente alguma alegria. Eu morro devagar, L ento, E ainda assim re nascendo diariamente. M orr erei como quem nasce D olorosamente. E vou espalhando meus pedaços P elos quatro cantos da cidade R uas e praças P ostes e barres E quem me vê andando Nada sabe da dor que falo. 25/02/2008 23:22

SPIDERS.

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“ Crawlin black spider” Cat Power Uma aranha negra teceu  teias metálicas sobre mim, Teias prateadas sobre meus ossos, E já não posso mais me mover. Sob a mesa de cabeceira, Um fantasmas bebe e sorri, Um inimigo me sorrindo de leve, Enquanto a aranha continua me cobrindo com suas teias, Da cabeça aos pensamentos E então já não posso mais movê-los. 04/04/2008 13:55

A TARDE.

Leões rugindo nas ruas mulheres flutuando nas calçadas homens espreitam. 3 meninos vestindo camisas de guerra levam escrito no peito exército de Deus enquanto fazem malabares no sinal para ganhar uns trocados. Em algum lugar do mundo um vulcão entra em processo de erupção,  do lado de cá, as horas se arrastam, e eu me cego olhando o sol por minutos eternidades. 19/02/2008 13:32

A PEDRA.

Caminhava e sentia com a mão O silêncio de minha pedra de estimação Que levava dentro de meu bolso. Meus olhos escorregaram até meus dedos, Assim eu via tudo a cada minuto que existia, E isso levou horas Levou inteiro o dia. A pedra cresceu no bolso, Tive que carregar dentro de uma bolsa De tão grande que ficou. Dentro da bolsa a pedra explodiu, Soltando água que nela existia E comigo, senti tudo mais pesado. 16/01/2008 18:31

ILUMINURAS.

III Nos bosques tem um pássaro, você pára e cora com seu coro. Tem um relógio que não toca nunca. Tem uma brecha no gelo com um ninho de bichos brancos. Tem uma catedral que sobe e um lago que desce. Tem uma pequena carruagem abandonada na moita, ou que passa correndo, decorada. Tem uma trupe em trajes de comédia, espiada pela trilha da floresta. E então, quando você tem fome e sede, tem sempre alguém que te manda passear. IV Eu sou o santo, rezando no terraço, — como os animais pacíficos pastando junto ao mar da Palestina. Eu sou o sábio na poltrona sombria. Os galhos e a chuva se jogam contra a vidraça da biblioteca. Eu sou o andarilho da grande estrada entre os bosque anões; o rumor das represas cobre meus passos. Me demoro vendo a triste fuligem dourada do pôr-do-sol. Eu bem podia ser a criança abandonada no cais de partida pro alto mar, o caipira rodando as alamedas, sua cabeça roçando o céu. Os caminhos são áspero...

POEMAS DE PAULO HENRIQUES BRITTO.

III Nem tudo que tentei perdi. Restou a intenção de ser alguém ou algo que não se pode ser, mas só ter sido; restou a tentação do nada, nunca tão forte que vencesse esse meu medo que é a coisa mais honesta que há em mim. Sobrou também o hábito vadio de me virar do avesso e esmiuçar as emoções como quem espreme espinhas. Mas nada disso dói; a dor é um ácido que ao mesmo tempo que corrói consola, que arde mas perfuma. Isso que eu sinto é uma coceira que vem lá de dentro e me destrói sem dignidade alguma. VII A consistência exata dessa insônia, a forma certa desse medo, o gesto seco que rejeita essa necessidade abjeta de ser quem não se é — a aceitação completa da vontade insuportável de querer o que se quer, a sede obscena de tragar o copo junto com a bebida — coisas tão simples, que só pedem a paciência sábia dos que aprenderam a se aturar, a santa complacência de quem lambe as próprias chagas e aprecia o gosto — não por requinte de nojo, mas só por nunca h...

OS MESMOS DIAS.

A noite me espia vazia Falando que logo já será dia. O sono que me vem agora lento como maré, Não é a onda pesada que tentará me derrubar pela manhã. Assim, sigo tentando destruir as horas do relógio Sigo tentando destruir o medo no peito Sigo tentando destruir este vazio de todos os dias, Enquanto à noite me espia silenciosamente vazia Me dizendo que logo, logo já será um novo dia. 29/07/2008 23:46

LEIA ABAIXO UM DOS POEMAS.

Recebei as nossas homenagens Único homem acordado nesta noite, o apartamento apertado parece imenso; vagueio desacordado de tudo e sobretudo em desacordo comigo, único homem acordado no mundo; o teatro estreito assim vazio parece largo, perambulo absoluto, príncipe estragado; não dormir é meu palácio; a Dinamarca, diminuta, parece dilatar-se enquanto palmilho o ar do quarto. Vem o dia, e o fantasma de meu pai não me aparece. Da vista e do visto Mais uma vez é maio; não o levaste contigo; horas se escrevem hoje com o lápis de sempre, ultramar e um tanto adolescente; não o levaste, maio, mês de meu aniversário, quando a melancolia é menos nítida que a linha dos morros e dos edifícios; vento sol amendoeiras, é como te digo, não levaste maio e mesmo os meus olhos estão aqui, comigo; algo, porém, sei que se foi contigo; que coisa era, não sei, e, ainda que pequena, faz falta, era minha; coincidência ou não, procuro e não encontro a m...

O BURACO DA NOITE.

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A noite é só um buraco negro Por onde sonhos nascem e escorrem dentro do tempo   Num vazio silencioso mais preciso que podes imaginar. A noite é só um local Onde a memória surge em solavancos Trazendo presságios dos pesadelos Do dia que será amanhã. 29/05/08 13:50 "Nocturnal Visitors", 2014, Dewey Guyen

CINCO.

Teu beijo em minha boca morde meu lábio inferior Teus dentes caramelados me tocam a lembrança agora Teu beijo ficou mascando a minha língua Teu beijo ficou em mim mesmo quando decidiu partir,                                                                  [Depois da noite de cinco amores que passamos.   Meu corpo dói em cicatriz arranhada Por tuas unhas Tuas falanges queimadas. Meu corpo com o cheiro do teu Meu quarto com o cheiro do teu corpo Em minhas mãos o cheiro do teu sexo 29/06/08 11:35

Escorpiões Sobre Teu Corpo.

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No momento final da madrugada Vejo escorpiões dançando em ritmo alucinado sobre teu corpo, E retirando de ti,                         Meu veneno. Retiram de mim tua verdade Enquanto te contorces em um tipo de dança morta. No final da madrugada Escorpiões dançam sobre teu corpo. 13/02/2005 11:55

UM BARCO QUE NAUFRAGA EM MAR TRANQUILO.

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George Bellows Perdi a sinceridade de teus olhos negros, Eles agora vagam sem destino algum pela cidade. Sou eu a pedra Que nada é moldada por vento que venha E me traga alguma novidade há meus dias ilhas, Às minhas horas inóspitas, A algum clamor por fogo. Perdi meu caminho de volta para casa Sou aquele barco naufragando em pleno mar tranquilo. 11/05/2001 00:07 - 00:17

O POEMA.

Tua linguagem subterrânea te afasta do mundo. Por acaso o poema é teu sol? Ilumina teus sonhos, aquece teu espírito? Ou é teu modo de viver sem a vida? Teu encontro cotidiano com a morte? Que fazes das palavras que te perseguem em seu imantado mistério e em sua ordem? Que fazes da unidade e do equilíbrio que elas te         ofertam? Se não percebes esse momento divino uma flecha venenosa atravessará teu coração. De nada te servirá a poesia. José Alcides Pinto - Silêncio Branco

TODOS OS POEMAS SÃO LOUCOS.

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marinheiro   Eu sei que você e eu somos pessoas por quem os sinos não dobram e os cães não ladram; e que a realidade não é uma pista de dança, nem a vida uma piscina onde você se afoga e é resgatado com vida. Se eu preciso registrar o momento e você não está ao meu lado, o verão, o bronze, o neon desbotado dos motéis também perderá a cor e eu me perderei nas ruas como um cachorro abandonado. Em cada pedaço de chão ou apartamento vazio, as janelas que você escancara não mostram o mundo lá fora. A inundação da chuva, motoristas atolados, ciclistas sem direção: o amor sob as cobertas quando a + b são sentimentos descritos em livros por um narrador sem rosto ou fome. Deixo você ir e também me perco no asfalto — morrendo de sede como marinheiro sem âncora tatuada no braço. espinha vertical   Imagine que você morra por dentro entre quatro ou doze semanas não consecutivas. Imagine do outro lado do telefone alguém que não te escuta. Já passou da meia-noite e você precisa dormir....

NOITE.

A lua flutua entre as quatro paredes de meu quarto Os prédios crescem muros aqui dentro, Crescem alto e eu penso grande. Jesus Cristo pregado na parede me olha, Em monólogo, digo o que penso. Sobre todas as perguntas não respondidas, Ele me observa em silêncio. De minha janela vejo que o mar está fechado para reformas, Me pergunto que grandes mudanças farão (faremos) neste mundo. Carros passam rápido E o verde desliza pela paisagem. Sinto que outro mundo está mais próximo de mim agora, Revoluções dissolvidas em minhas mãos Como pedras de gelo em meu copo. Meus amigos estão cada vez mais distantes e sérios Todos com empregos fixos nos bolsos. Eu continuo sentado E faço versos, Se isso for poesia. 22/08/2005

OSSOS DO OFÍCIO

Ela chora de saudade E clama pela cidade Que não nos olha de frente. Eu me deito no chão Sinto pedras e agulhas Que aos poucos me penetram Ossos de reserva. Deito-me. Lembro um sonho Que tive noite passada. Penso em transformá-lo em filme.

DO ATO DE FALHAR.

A tarde se deita sobre mim Me incomoda O abraço que o sol me dá, Folhas verdes De árvores negras acenam, Eu nunca respondo por que sou tímido. Jovens caminham olhando para o horizonte Moças passam e se insinuam E eu grito de orgulho Por falhar num poema.