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Mostrando postagens com o rótulo Ponto de Vista

04/02/2018

Ontem, nesse mesmo horário, eu estava na casa do meu amigo. Sentados, tomando uma baldada, nós conversávamos sobre os rumos do mundo e da humanidade. Não era nada pretensioso, nós só estávamos tentando entender o que está acontecendo. E no nosso ponto de vista, o mundo vai mal. Mais já vai mal a muito tempo também. Só está piorando. Talvez nunca existiu um momento em nossas vidas em que existiu tanto medo social como está acontecendo agora. Gente cada vez com mais medo de gente. Uma das coisas que mais se falam hoje em dia é “Não confie em ninguém”. Um dos conselhos no momento é “Não saia de casa, se não for extremamente necessário”. Gente com medo de gente. Gente com medo de andar na rua e sofrer algum tipo de violência. Mas não foi sempre assim. 20 anos atrás, era natural ver pessoas sentadas em calçadas em muitos bairros da cidade até tarde da noite. 20 anos atrás era normal você andar em um bairro estranho, pedir água em alguma casa, e ser atendido. Hoje em dia, falávamos, isso nã...

CONTINUANDO.

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A vida é um mistério curioso. A vida com todas as suas voltas e caminhos. O que me leva a lembrar que coisa de um pouco mais de um ano atrás, passava por um processo no qual eu julgava como falta de fé. Eu sabia que não era falta de fé, mas sim a falta da importância da fé pra mim. Eu só não queria mais. Tanto fazia. Mas não era isso, e eu sabia na época. O que eu ainda não sabia era que aquele processo era apenas eu me desligando inconsistentemente de quem eu era, para me tornar um outro, um outro que ainda viria, que ainda vem, mas que também já está aqui. Eu estava me desligando de algumas crenças que já não pareciam me vestir mais. E como sou uma pessoa dramática, precisava de um ato dramático também no momento. Então levei um ano para entender o que era aquilo. Algumas coisas ficam escondidas dentro da gente, para se mostrarem assim, repentinamente. E quase um ano depois, como um raio, como uma iluminação, eu entendi em como eu estava me transformando, e no que eu precisava me tr...

HEY MAN, THAT´S NO WAY TO SAY GOODBYE.

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Lembrei de uma conversa onde uma colega me perguntou o que eu tava fazendo e eu disse que ouvindo música. Ela perguntou o que eu ouvia. Falei Leonard Cohen . Ela respondeu que não conhecia. Mandei pra ela “ I'm Your Man ”, que tava ouvindo no momento. Minutos depois ela me escreve que se alguém cantasse assim pra ela um dia, era capaz dela morrer. Mister Cohen parece que sempre soube das coisas.  Leonard fez a passagem, deixando uma obra que parece ser grandiosa. Uma obra que ainda não conheço por completo. Passei a acompanhar o trabalho do cantor tardiamente, na verdade acompanhei de verdade por agora, onde praticamente lançava um disco por ano nos últimos três que estão passando. Mês passado saiu, e pode-se dizer infelizmente, o último disco do cantor; “ You Want It Darker ”. Acho que me identifico mais com essa fase mais velha de Cohen, onde sua voz cada vez mais grave, onde seu jeito de cantar era quase como quem declama profundamente poemas em um microfone. Nestes últimos ...

TU ERES DIOS.

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Fazia muito tempo que não entrava em uma igreja. Essa semana, nas 24 horas de sono, de descanso, por acaso me vi perto da igreja perto de minha casa e resolvi assistir a missa. Fazia muito tempo que eu não assistia uma missa, anos, nem lembro da última vez. E entrar na igreja agora, foi como quem entra pela primeira vez. Da missa, eu só lembrava que era um longo rito, que eu nunca entendi. Acho que por isso nunca gostei de assistir. Quando eu era criança, lembro de chorar quando minha mãe dizia que eu tinha que ir a igreja. Não era falta de fé, na época eu nem sabia o que isso era. Apenas aquela celebração era algo muito chata pra mim. Ontem, constatei que continua o mesmo. Dessa vez, talvez pelo dia da semana, senti a igreja como um ambiente muito deprimente. Os velhos, aquele homem pregado na parede, eternamente, aquela sensação de um passo pra morte. Uns 15 minutos de celebração me bateu uma sensação triste. O peito pesado, a depressão leve de todos os dias. E lá, sentando e lev...

O CABEÇA DE PROZAC.

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Mancho, cadê teu tumblr? Excluíram. Tu excluiu?! Não, excluíram. Como assim? Sei lá, alguém entrou e excluiu o blog. Ou então denunciaram o tumblr e o próprio tumblr excluiu minha conta, nem sei como foi. Eita, mó paia. Muito ó, eu tinha essa conta dês de 2010, eu acho. Eu seguia uma porrada de tumblr massa, e tinha mais de 2 mil seguidores que olhavam as rumações que eu postava. Mó paia ó. Tu num sabe quem foi que fez? Só tenho ideias. Mancho, isso é coisa de quem não gosta de ti. Tem uma porrada de gente por ai que não vai com a minha cara. Bem normal isso. Ozinimigo! Que nada, eu teria que me ter muita importância pra poder acreditar que alguém não gosta de mim ao ponto de perder tempo comigo. Mais pior que tem, viu, gente assim. Tem uma porrada de gente que não vai com a minha cara. Umas duas, três pessoas que me odeiam de verdade. Sério? Sim. Todo mundo que um dia já me amou, passa a me odiar depois. Eu acho bonito isso ó, o amor que se torna em ...

O POVO.

A tarde começava a terminar, desci a rua em direção da praça, queria ver o movimento, o povo, quem faz besteira se fazendo de besta. Uns companheiros ficaram vendo pela TV. Faz um tempo que deixei de ver TV. Nem tenho mais uma. Desci a rua. Não muito longe vi uma mulher vestida de amarelo levando um cachorro vestido de amarelo. Soltei uma gargalhada. Eu já podia voltar, mas queria me divertir mais. Dobro a esquina e vejo a multidão na praça. Me aproximo, paro e acendo um cigarro. Fico sacando o povo. No microfone um cara gritava que iria sim, ter impeachment, que o povo clama por justiça. Olhei ao redor, e não vi. Vi um bando de gente branca vestida ridiculamente de verde e amarelo. Uma multidão branca, loiros, uns olhos azuis, cabelos lisos, gente bem alimentada, gente rica, o povo rico da cidade num bairro rico da cidade. Fiquei procurando o povo. Mais ali eu só via advogados, juízes, donos de negócios, empresários, dondocas, madames, novinhas ricas, meninos mimados, cachorros trata...

VAMO CONVERSAR DEVAGARZINHO.

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Envelhecer e morrer são duas certezas que temos nisso que chamamos de vida. E a eterna mudança de tudo que nos rodeia é outra. O tempo que é impiedoso. E é bom que não exista perdão. Até porque não existe nada o que perdoar. (pronto, beleza, agora que já começou no drama, é só dar aquela relaxada, continua) Mas existe uns momentos em que você fecha os olhos e pensa; Pra onde é que eu fui? Onde eu fui soltando os meus pedaços por aí? Pra eu voltar e procurar e catar e tentar colar, reaver alguma coisa. Qualquer coisa que for. São momentos como de um fim de feriadão desses que você se toca que já foi. Pra onde? Sei lá. E faz diferença saber? Mas que já foi. E ficar lembrando de que uns anos atrás eu pegava 4 dias como esse e assistia no mínimo uns 8, 9 filmes. Lia pelo menos uns 2 livros. Caramba, lembro do fim da adolescência de ir pra biblioteca nas sextas-feiras de noite, pegar um livro e na segunda já tá de volta pra devolver o livro lido e pegar outro título...

DUAS RODAS.

Dia desses tava voltando pra casa e fiquei pensando em como tá um pouco mais tranquilo andar de bicicleta por Fortaleza . Depois que virou moda andar de bike pela cidade, os motoristas tiveram que começar a respeitar um pouco mais os ciclistas. Quando eu era moleque, praticamente toda noite eu pegava a bicicleta preta que eu tinha e saia pra dar uma volta. Eu nunca tinha aonde ir especificamente, então entrava e saia de ruas do meu bairro, ia até outros bairros e era tranquilo, o movimento de carros era menor na época e o povo respeitava mais. Tinham os assaltos, que eram praticamente o único perigo. Mas a qualquer hora do dia era de boa andar de duas rodas pela cidade. Numa tarde quando eu voltava da aula, dois caras em uma bike apareceram e um deles me deu uma voadora e levou minha pretinha. Dai sem duas rotas comecei a andar mais de pé dois. O tempo foi passando, Fortaleza começou a crescer de uma forma estranha e o trânsito foi ficando mais intenso, se tornando um gran...

FELLS LIKE TRASH.

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Bully foi formada em Nashiville em 2013, lançaram um ep em 2014 e no ano seguinte “ Fells Like ”, o primeiro disco, com umas porradinhas mesclando Punk com Indie Rock . Nos vocais Alicia Bognanno , vinda de Minnesota . Alicia é uma loirinha lindinha que quando abre a boca solta uns berros consideráveis. O jeito de cantar que vai calmo e nos refrões pro roco rasgado em músicas como “ Too Tough ”, “ Trying ”, “ Trash ” e " Six " me lembraram na primeira audição algo meio Pixies ,  Breeders . E o som da banda talvez esteja por aí, pela banda de Black Francis , Kim Deal , o Nirvana de C obain , e algumas outras bandas dos anos 90. Talvez seja isso. Quem sabe eles tenham outras influências que ainda não consegui pegar. De toda forma, “Fells Like” vem mostrando o som que a banda quer fazer e é um bom disco de estreia. Pode soar um pouco repetitivo na primeira audição, mas pra mim tá valendo escutar, é bom ver gente gritando em microfone, fazendo música com gui...

O CABEÇA DE PROZAC.

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Tô tentando aproveitar esse recesso pra ler uns livros e escrever umas coisas. Entrei numas de estudar a bíblia, fazia tempo que eu só ensaiava, abria e depois perdia o interesse dias depois, mas agora entrei mesmo na onda. Comecei faz pouco, e ainda tô na Gêneses . Engraçado que dias depois de começar, me caiu nas mãos as traduções que o Haroldo de Campos fez prumas partes do grande livro. Aproveitei a viajem e fui dar uma conferida nas traduções poéticas do Haroldo, e Jó é muito belo. Daqui uns dias termino o começo do começo e passo prumas outras ficções. A ideia é entrar numas leituras e me conectar com outras coisas por aí. Tô aproveitando pra escrever uns textos também, umas histórias, coisas pra ficar postando por aqui ou pra algum lançamento futuro. Escrever é um trabalho maldito, viu, quem escolhe isso pra pagar as contas é quase pior que pião de obra. Os pião pelo menos são mais alegres em mesa de bar e em puteiro. Escritor é bicho triste aonde estiver...

A VOLTA.

Quando minha amiga Paula falou do " Birdman " e que o cinema americano comercial já era, eu não peguei na hora. Hoje com 15 minutos de " O Regresso " me veio na cabeça e eu entendi. Iñárritu fez mais um filme pra ganhar prêmio. (E daí, né?) E quem se importa se o Dicaprio vai ganhar prêmio por ter comido terra? Não faz a menor diferença na sua e na minha vida. Torcer pra milionário mesmo que este faça "arte" é dar chute na própria bunda. É coisa de quem fica só na espera de levar. Terem inserido um elemento pra dar real sentido à vingança na história foi de doer na consciência de quem ao menos folheou o livro do Punke . O que dizer de quem leu mesmo a narrativa e gostou da história. Mas tá certo, o filme é o filme, e só. Mas aquela melação... De toda forma, é sempre válido ver um "faroeste" na telona.

Play #2

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-Tu só gosta de beber lá porque tu faz o DJ. É meio que verdade sobre o bar em que gosto de beber. Como já falei eu tenho uns problemas com bares e nem vou contar quais são agora pras pessoas não pensarem que sou mais estranho do que já pensam. Mas beber uma ouvindo bom som faz uma diferença. E quando é o som que você gosta mesmo faz bem mais. O fato é que quando você senta pra preparar uma playlist, você não tá pensando apenas no próprio gosto, você tá pensando que a floresta onde você tá, possa curtir também o som que você tá levando. Aí você tenta fazer as escolhas com cuidado e tenta colocar ali algo pra agradar um pouco o povo (preles não pedirem pra tirar seu som antes do tempo) e pra você curtir. Bom, eu só tô enchendo linha pra mandar a playlist da noite de ontem. E eu queria dizer que foi engraçado ver o povo se divertindo com as músicas que levei, gente vindo na mesa perguntar se tinha mais música de tal artista, e queria falar pro cara que veio me perguntar quem tava toca...

CALMANTE.

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Toda vez que eu escuto " Little Eyes ", eu fecho os meus e a voz da Georgia me envolve e me acalma dando uma tranquilidade. Quase sempre sinto isso quando escuto miss Hubley cantando no meu ouvido. E as vezes quando estou os ouvindo tocar, lembro de um cara nos anos 60 vivendo pelo underground de Nova York com sua banda que tinha uma modelo cantando no disco de estréia. E sempre fico pensando se essa banda não tivesse existido, como teria nascido o Yo La Tengo  anos depois.

P.J.

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Poucos artistas que vieram dos anos 90 pra mim conseguiram criar uma obra tão consistente e interessante quando Polly Jean.  Dês de “ Dry ” de 92 até “ Let England Shake ” de 2011, Polly Jean criou músicas incríveis dentro de discos incríveis, uma discografia sólida e sempre instigante. Em 2007 Com o lançamento de “ White Chalk ” a moça foi diminuindo as distorções e entrando num processo intimista bem bonito. Dias atrás foi pra internet o vídeo de “ The Wheel ” música do novo disco dela, “ The Hope Six Demolition Project ”, disco que parece de certa forma dar uma continuação a algo criado no disco de 2011. Não tenho dúvidas que será um bom disco. PJ não decepciona. Acho essa apresentação dela muito boa. A energia e a forma que interpreta as canções no palco dá gosto de ver.

O DIA EM QUE ENCONTREI DANIEL GALERA PEDINDO MOEDAS NA RUA.

Saio já quase duas da madrugada. Perdi o ônibus e agora só depois das 3 passa outro. Fico na parada. Acendo um cigarro. Vou ter que esperar mais de uma hora pra pegar o ônibus pra chegar em casa. Esse lado da cidade está acordado. No lado em que vivo, dormem. Do outro lado da rua um flanelinha toma conta dos carros dos ricos por algumas moedas. Anda pra lá e pra cá pra pegar água em uma torneira pra lavar os vidros dos carros com um pano sujo. Dou uma olhada nele, conheço esse cara de algum lugar, penso. Então me dou conta que não conheço, na verdade, mas o cara tem a cara do Daniel Galera. Já li uns livros. Fico fumando, esperando o tempo passar. E o Daniel lá, limpando os carros, pastorando, de olho nas moedas. Os minutos não passam, e pro tempo passar cruzo a rua e resolvo falar com o Galera. Realmente se parece. Ofereço um cigarro, ele aceita e agradece. Tento puxar conversa, o cara, fechado. Sou ruim de conversa também. Mas depois de um tempo, e uns cigarros dados, ele me fala qu...

SOBRE ALGUMAS NOTÍCIAS DO SÁBADO PASSADO.

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Vez ou outra alguma pessoa me pergunta se gosto de pornografia. Minha resposta é sempre sim. E gosto de atrizes do meio pornô, sou fã mesmo do trabalho que elas fazem. Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender como “um cara como eu” “perde seu tempo” vendo pornografia, ou como sou fã de mulheres que fazem uma única coisa da vida; sexo. Olhos sempre arregalados pra mim sem entender. Eu gosto de sexo. Gosto de fazer. De ver, pensar. Normal. Como todo mundo. Algumas pessoas parecem não entender isso. Outras não dão tanto importância ao sexo. Eu entendo. Não que seja uma coisa em que eu coloque em primeiro lugar na minha lista de coisas importantes. Algumas pessoas se enganam em relação a isso. Mas tá lá, sim. É importante pra mim, como pra qualquer outra pessoa que se preocupa em manter o corpo e a mente saudáveis. Sexo não é só saúde. Pra mim é uma forma poderosa de conexão com o outro. Como uma boa conversa. Como um bom encontro. Sexo é o desejo simples de satisfazer ...

A GUERRA NAS ESTRELAS QUE REALMENTE ME INTERESSA.

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Dês de 2011 o Wilco não lançava um disco novo. “ The Whole Love ” foi um grande disco, inspirado, tenso, bem construído. Dês de então a banda saiu por ai fazendo shows, com projetos paralelos, mas nada de soltar um novo disco. Minha expectativa era grande quando pensava em um novo trabalho da banda, e minha surpresa foi maior ainda quando um belo dia desses vi que eles soltavam então um trabalho novo inteiramente de graça na internet, assim, sem ter avisado nada antes. “ O que é mais divertido que uma surpresa? ” Dizia Jeff Tweedy , vocalista da banda no Facebook soltando o link do disco novo para ser baixado free. Um sorriso de surpresa e excitação abriu em mim, e eu fui logo colocar o download para ser feito. “ Star Wars ” chegou de surpresa para os fãs e em um momento bem interessante. Se antes diversas bandas procuravam o caminho de promover seus trabalhos em diversos meios, TV, rádio, revistas, fazendo propagandas, chamando atenção, o Wilco resolveu ir por outro camin...

02/11/2015

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Vejo vindo uma garota bem branca de cabelos bem pretos. Ela vem tão dentro de si, tão repleta de si que esquece que está na rua e vem andando com o dedo no nariz, cutucando, tirando a meleca. Acho lindo a menina bem branca de cabelos bem pretos tirando meleca do nariz. Quando nos aproximamos, e somente porque já sei, finjo, dentro de meu óculo escuro, não ver. Ela nota que alguém vem no mesmo caminho que o seu e tira rapidamente o dedo do nariz, envergonhada, saindo de si. Olha pra mim, que não estou olhando pra ela, e envergonhada de andar na rua tirando meleca do nariz, baixa a cabeça. Sinto vontade de parar em frente a ela e dizer que não precisa se envergonhar por nada. Que aquilo, como diversas outras coisas na vida, é algo natural, que é isso uma das coisas que nos torna humanos, e que não temos que nos envergonhar disso. Que vivemos em um mundo que quer nos criar em uma moldura, em um verniz em que as pessoas querem que tenhamos vergonha de ser quem somos, e que nos envergonhem...

EXTRATERRESTRES.

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Para o povo aí que goza quando acham uns extraterrestres a dez anos luz daqui; primeiro existem dois tipos hipotéticos de civilizações extraterrestres; as primitivas e as mágicas (terminologia científica, não é minha). O primeiro tipo são estas que estão tão quanto ou menos desenvolvidas quando comparadas com os seres humanos. O segundo tipo, as mágicas, são as que já estavam dando suas piruetas pelo espaço quando o planeta Terra ainda estava se aclimatando para gerar futur amente (bilhões de anos) uma célula, uma combinação molecular, ou seja, qualquer forma de vida até que apareceria milhões de anos depois um bicho qualquer antes do homem. Resumindo: quando você passa por um formigueiro você dá aquela olhada, e se estiver meio entediado, dá uma cutucada com uma vareta e logo a vida segue, não é não? Mas é muita pretensão desta nossa raça achar que na possibilidade de existir uma civilização extraterrestre evoluída a ponto de empreender viagens intergaláticas esta tenha qualque...

17/09/15

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Aos poucos as coisas vão melhorando. Vão tomando seu lugar, algum lugar  elas   tem que tomar. É só você se afastar de quem/daquilo que te faz mal. Se for possível afastar, afasta-te, e as nuvens melhoram. Com o tempo, algumas coisas ficam mais claras. Por que o tempo é o único remédio que realmente se pode tomar. Esperar que tudo finde, para continuar. Por que o tempo destrói tudo.  E   leva uma parte. Mas nunca tudo. Mas é necessário que fique algo, para aprender algo, mesmo que seja pouco, mesmo que seja quase nada. É só afastar do mal, retirar o mal do corpo como se o mal fosse aquele demônio que vem para o corpo procurando moradia, um espírito zombeteiro que veio ficar por perto. Nesse mundo existem muitos espíritos zombeteiros se achando boa gente. Mas tem o tempo.  E   olhar  para   mim hoje  é me   ver diferente daquele sujeito que a uma semana atrás segurava a arma que comprou escondido, na boca, pronto  para   explo...