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ALGUM AMOR.

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“ Sua mulher está agora trepando com outro cara” ou “Seu cara está trepando agora com outra senhora!” – porém quando ele disse isso os resíduos eram da deixa. Jorge Cardoso - Ó máh, tu tem que me escutá, é o que tô dizenu, ela tá te traino com uns cara por aí. Issac é meu amigo de infância, crescemos no mesmo bairro e estudamos quase que nas mesmas escolas. - Eu num sei se tu tá sabeno, mas o fato é que a cidade inteira já tá sabeno e comentano. Vivo com essa mulher há dois meses. Me mudei pra sua casa. A conheço pouco. Comparado com o tempo que conheço Issac, é dois por cento de uma relação. Estamos morando juntos porque perdi o emprego na mesma época em que começamos a sair. [- Porque você quer continuar saindo comigo? Quero dizer, estou sem emprego, estou sem dinheiro. Quero dizer, não tenho nada pra te dar neste momento. Somente quem sabe só alguma companhia na hora em que você quiser e eu puder. - Tá bom pra mim.] Eu perguntei certa vez e ela falou. Então ...

UM BARCO QUE NAUFRAGA EM MAR TRANQUILO.

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George Bellows Perdi a sinceridade de teus olhos negros, Eles agora vagam sem destino algum pela cidade. Sou eu a pedra Que nada é moldada por vento que venha E me traga alguma novidade há meus dias ilhas, Às minhas horas inóspitas, A algum clamor por fogo. Perdi meu caminho de volta para casa Sou aquele barco naufragando em pleno mar tranquilo. 11/05/2001 00:07 - 00:17

ESCURIDÃO.

Não sei há quantos dias estou aqui. Não sei onde estou. É escuro, abafado, úmido. Sinto as paredes molhadas, talvez de meu suor. Existe um ventilador em uma das paredes, sei que está lá embora não o consiga ver por completo. Sinto o vento quente que sopra. O ar não circula no quarto, então o vento que sopra é quente. Meu suor. Está por todo meu corpo. Meu corpo está sempre molhado de suor. Isso me incomoda. Já estou me acostumando. Acorrentado dessa forma não posso fazer muita coisa. Não sei o que deveria fazer. Não sei há quantos dias estou aqui. Não sei por quantos dias mais vou permanecer neste lugar. Não sei o que fiz, elas não dizem, eu nunca pergunto. Eu não saberia como perguntar. E mesmo assim sei de antemão que elas não me responderiam. As duas. Se revezam pra me trazer o que comer e o que beber. Não consigo ver o rosto de nenhuma. Só o formato do corpo. Às vezes consigo ver algo, quando existe luz. Elas mantêm o controle sobre a iluminação do quarto. Não tenho muito o qu...

OH, WILLY.

" Oh Willy... " uma animação escrita e dirigida por Emma De Swaef e Marc James Roels .

O POEMA.

Tua linguagem subterrânea te afasta do mundo. Por acaso o poema é teu sol? Ilumina teus sonhos, aquece teu espírito? Ou é teu modo de viver sem a vida? Teu encontro cotidiano com a morte? Que fazes das palavras que te perseguem em seu imantado mistério e em sua ordem? Que fazes da unidade e do equilíbrio que elas te         ofertam? Se não percebes esse momento divino uma flecha venenosa atravessará teu coração. De nada te servirá a poesia. José Alcides Pinto - Silêncio Branco

TODOS OS POEMAS SÃO LOUCOS.

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marinheiro   Eu sei que você e eu somos pessoas por quem os sinos não dobram e os cães não ladram; e que a realidade não é uma pista de dança, nem a vida uma piscina onde você se afoga e é resgatado com vida. Se eu preciso registrar o momento e você não está ao meu lado, o verão, o bronze, o neon desbotado dos motéis também perderá a cor e eu me perderei nas ruas como um cachorro abandonado. Em cada pedaço de chão ou apartamento vazio, as janelas que você escancara não mostram o mundo lá fora. A inundação da chuva, motoristas atolados, ciclistas sem direção: o amor sob as cobertas quando a + b são sentimentos descritos em livros por um narrador sem rosto ou fome. Deixo você ir e também me perco no asfalto — morrendo de sede como marinheiro sem âncora tatuada no braço. espinha vertical   Imagine que você morra por dentro entre quatro ou doze semanas não consecutivas. Imagine do outro lado do telefone alguém que não te escuta. Já passou da meia-noite e você precisa dormir....

NOITE.

A lua flutua entre as quatro paredes de meu quarto Os prédios crescem muros aqui dentro, Crescem alto e eu penso grande. Jesus Cristo pregado na parede me olha, Em monólogo, digo o que penso. Sobre todas as perguntas não respondidas, Ele me observa em silêncio. De minha janela vejo que o mar está fechado para reformas, Me pergunto que grandes mudanças farão (faremos) neste mundo. Carros passam rápido E o verde desliza pela paisagem. Sinto que outro mundo está mais próximo de mim agora, Revoluções dissolvidas em minhas mãos Como pedras de gelo em meu copo. Meus amigos estão cada vez mais distantes e sérios Todos com empregos fixos nos bolsos. Eu continuo sentado E faço versos, Se isso for poesia. 22/08/2005