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LUZ.

Acordou no meio da noite e percebeu um ser luminoso ao seu lado expandindo luz, um ser nunca visto por ela antes. Estranhamente não se assustou, mas pensou que por causa da luz não conseguiria voltar a dormir. A luz por sua vez era um tipo de energia confortável, e logo adormeceu e dormiu um sono calmo, acordando no dia seguinte muito mais alegre. Muitas de suas colegas de trabalho a perguntavam o segredo de tanto bom humor e disposição cogitando novo amor. Ela guardava o segredo noturno. Assim foi durante meses, acordava no meio da noite com a estranha luminosidade percebendo que o ser expandia cada vez mais luz ao seu lado na cama, e logo voltava a dormir tranquila. Depois de meses, numa noite acordou como de costume e notou que nenhum ser estava ao seu lado, só a escuridão tinha voltado a lhe fazer companhia. Nenhuma luz ao seu lado existia. E não conseguiu voltar a dormir. Hoje, não conseguindo mais dormir no escuro (todas as luzes da casa ligadas), vive perturbada com u...

KING. DO BLUES.

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Eu tinha diversas coisas pra fazer. Pros outros. Domingo é sempre o dia mais corrido. Andando pra lá e pra cá. Aquela impaciência. Dos outros. Pressa pra quê? Tamo caminhando pro mesmo lugar. Levei comigo um som pra colocar no sonzinho que durante a semana rola coisas de padre. Do outro lado sempre vem aquele brega, aquela música de dor de cotovelo. Levei comigo um som pra me acalmar e fazer as coisas fluírem bem melhor pra minha cabeça. -Se eu ouvisse 15 minutos disso aí eu ficava era doida. Me disse uma colega, enquanto rolava já minutos do King of Blues do Davis. Fiquei com vontade de falar que é esse tipo de coisa que eu escuto que me afasta um pouco da loucura que vem da minha própria cabeça e da que vem da cabeça dos outros também. Mas que diferença faria falar isso ou qualquer outra coisa? Cada um escolhe a própria loucura. Ou é escolhido. O disco de 59 do mestre Miles Davis sinceramente é uma das coisas mais bonitas que eu já ouvi do cara, um dos meus predileto...

TU ERES DIOS.

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Fazia muito tempo que não entrava em uma igreja. Essa semana, nas 24 horas de sono, de descanso, por acaso me vi perto da igreja perto de minha casa e resolvi assistir a missa. Fazia muito tempo que eu não assistia uma missa, anos, nem lembro da última vez. E entrar na igreja agora, foi como quem entra pela primeira vez. Da missa, eu só lembrava que era um longo rito, que eu nunca entendi. Acho que por isso nunca gostei de assistir. Quando eu era criança, lembro de chorar quando minha mãe dizia que eu tinha que ir a igreja. Não era falta de fé, na época eu nem sabia o que isso era. Apenas aquela celebração era algo muito chata pra mim. Ontem, constatei que continua o mesmo. Dessa vez, talvez pelo dia da semana, senti a igreja como um ambiente muito deprimente. Os velhos, aquele homem pregado na parede, eternamente, aquela sensação de um passo pra morte. Uns 15 minutos de celebração me bateu uma sensação triste. O peito pesado, a depressão leve de todos os dias. E lá, sentando e lev...

O CABEÇA DE PROZAC.

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Mancho, cadê teu tumblr? Excluíram. Tu excluiu?! Não, excluíram. Como assim? Sei lá, alguém entrou e excluiu o blog. Ou então denunciaram o tumblr e o próprio tumblr excluiu minha conta, nem sei como foi. Eita, mó paia. Muito ó, eu tinha essa conta dês de 2010, eu acho. Eu seguia uma porrada de tumblr massa, e tinha mais de 2 mil seguidores que olhavam as rumações que eu postava. Mó paia ó. Tu num sabe quem foi que fez? Só tenho ideias. Mancho, isso é coisa de quem não gosta de ti. Tem uma porrada de gente por ai que não vai com a minha cara. Bem normal isso. Ozinimigo! Que nada, eu teria que me ter muita importância pra poder acreditar que alguém não gosta de mim ao ponto de perder tempo comigo. Mais pior que tem, viu, gente assim. Tem uma porrada de gente que não vai com a minha cara. Umas duas, três pessoas que me odeiam de verdade. Sério? Sim. Todo mundo que um dia já me amou, passa a me odiar depois. Eu acho bonito isso ó, o amor que se torna em ...

O POVO.

A tarde começava a terminar, desci a rua em direção da praça, queria ver o movimento, o povo, quem faz besteira se fazendo de besta. Uns companheiros ficaram vendo pela TV. Faz um tempo que deixei de ver TV. Nem tenho mais uma. Desci a rua. Não muito longe vi uma mulher vestida de amarelo levando um cachorro vestido de amarelo. Soltei uma gargalhada. Eu já podia voltar, mas queria me divertir mais. Dobro a esquina e vejo a multidão na praça. Me aproximo, paro e acendo um cigarro. Fico sacando o povo. No microfone um cara gritava que iria sim, ter impeachment, que o povo clama por justiça. Olhei ao redor, e não vi. Vi um bando de gente branca vestida ridiculamente de verde e amarelo. Uma multidão branca, loiros, uns olhos azuis, cabelos lisos, gente bem alimentada, gente rica, o povo rico da cidade num bairro rico da cidade. Fiquei procurando o povo. Mais ali eu só via advogados, juízes, donos de negócios, empresários, dondocas, madames, novinhas ricas, meninos mimados, cachorros trata...

UM VAMPIRO NAS TARDES OCIOSAS.

Separado por um tempo Que escorre de um relógio morto, Atravesso a tarde de sol negro Em meus olhos escuros E Caminho pelo dia Sem grandes preocupações. Respiro o ar cinza Que deforma minhas narinas e pulmões, Participo das ruínas da cidade:                                 Meu corpo. Percebo Prédios, ao meu lado, devagar, E o asfalto Que o calor flutua E precipita em nova estrada. Observando a adolescência da tarde, Percebo como sou bruto Diante das horas, Dos ponteiros alheios         Do Tempo, A ignorar meu cansaço E meus medos, Em relação à vida.

PLAY #5.

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Nada como ter álcool, ter um Hulk guardado pra emergência (essa é a hora de usar), muita música e filmes de terror. Os jogos do fim de semana estavam começados. Nada como isso. Somente descobrir repentinamente no começo da noite que suas férias terminaram. O que não tem remédio, remediado está. E se não tem remédio pra tudo nesse mundo, pro que tiver eu vou tomar. Já diria Lourenço Mutarelli. O que sobra é o resto da noite com pouquinho de álcool, muita música, um Hulk e filme de terror. Amanhã a gente vê o que dá pra fazer.